
A gestora Yards e a empresa de serviços financeiros StoneX uniram-se para lançar um Fiagro, como são conhecidos os fundos de investimento em cadeias agroindustriais, que terá volume inicial de R$ 250 milhões e investirá em direitos creditórios. As duas parceiras usarão os recursos do fundo para financiar produtores rurais e também empresas do setor.
A StoneX vai estruturar as operações e fará originação, análise, apresentação das operações ao comitê de investimentos e o acompanhamento dos direitos creditórios. Já a Yards atuará na gestão do fundo e ficará responsável pelo aporte de capital proprietário, pela captação de recursos e por conduzir o comitê de investimentos.
As altas taxas de juros, que limitam o acesso a linhas tradicionais de crédito, têm aumentado o peso de produtos alternativos, como os Fiagro, no financiamento ao campo. “O recurso subsidiado acabou, pelas razões que a gente já conhece. E o capital privado veio para ficar”, diz Paulo Froes, diretor de Finanças Corporativas da StoneX.
Segundo ele, a onda recente de recuperações judiciais no agro tem afetado a confiança de investidores no setor. Com isso, ela tornou-se um empecilho a mais para a oferta de crédito ao campo.
Mas as limitações também criam oportunidades, avalia Mario Candido Neto, da área de Produtos e Estruturação da Yards. “Estamos com grandes desafios [decorrentes] dessas reestruturações, desse momento anticíclico. Ainda assim, há produtores que são eficientes na cadeia e que hoje estão com uma carência de capital, porque estamos enfrentando uma grande escassez de recursos. Nós vemos isso como uma grande oportunidade”, afirma.
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O fundo já está em fase de estruturação e captação, e a expectativa é de que os primeiros desembolsos ocorram até a primeira quinzena de março. Na estratégia de oferta de crédito, o fundo trabalhará com empréstimos com garantias reais e diversificação por devedores, cadeias produtivas e regiões de atuação.
“Seja em bioenergia, seja na produção de grãos, todos os setores têm boas oportunidades. O que sempre vamos ter são as restrições nos subsegmentos que estão mais críticos, [uma situação decorrente] da capacidade operacional e de gestão daquela contraparte, e não tanto por causa [de problemas] de um segmento específico”, diz Candido Neto. Segundo ele, a depender das oportunidades, o fundo poderá crescer, “respeitando toda a questão de princípios ESG”.
Os executivos contam que o pagamento aos investidores do fundo não seguirá um modelo com juros mensais, mas a remuneração terá um piso definido. Já o devedor não necessariamente pagará juros da dívida mensal.
“No agro, um juro trimestral ou até mesmo semestral não é deixar de ser rentista. Isso é ser um rentista inserido dentro de um contexto que esse setor requer, dadas as suas condições peculiares”, comenta Froes. Candido Neto acrescenta que o agro é um investimento alternativo, e “não um produto de renda fixa pura”.
Direcionado exclusivamente a investidores institucionais, o fundo poderá crescer, a depender da demanda. O Fiagro-FIDC marca o início da parceria entre Yards e StoneX. As empresas firmaram acordo com prazo indeterminado e poderão, no futuro, criar novos veículos para financiar o agronegócio ou áreas correlatas.






