
A Embrapa Milho e Sorgo lança nesta quarta-feira (3/3), em parceria com a empresa Nascente (NCT), o novo silo biorreator batizado de SiloBio, solução exclusiva para higienização de grãos em larga escala, que amplia a segurança sanitária e o valor agregado da produção.
O silo biorreator é um equipamento que combina a funcionalidade de armazenamento de um silo com o ambiente controlado de um biorreator, para tratar grãos em escala industrial. No caso do SiloBio, ele utiliza a ação natural do gás ozônio, tecnologia que elimina micotoxinas, fungos, pragas e demais resíduos químicos, para garantir uma ração segura, sustentável e de alto desempenho.
O desenvolvimento da tecnologia começou com a validação de um processo de aplicação de gás ozônio. Essa técnica, realizada por pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo, visa à redução de teores de micotoxinas em grãos de milho na pós-colheita.
O uso do gás ozônio para controlar as micotoxinas, processo conhecido como detoxificação, já era estudado há algum tempo e com potencial demonstrado na literatura. “A Embrapa Milho e Sorgo iniciou pesquisas com foco na redução de teores de fumonisinas, um tipo de micotoxina produzida principalmente por fungos do gênero Fusarium sp., que é predominante em grãos de milho”, explica o pesquisador Marco Aurélio Pimentel.
“Começamos esses estudos com a aplicação direta do gás ozônio nos grãos entre os anos 2012 e 2013. Essa técnica é chamada de aplicação a seco e, em escala de laboratório, utilizou estruturas (protótipos) que simulavam um silo”, comenta Pimentel, líder desse projeto na unidade de pesquisa mineira.
Segundo o pesquisador, foram animadores os resultados obtidos, como a redução de até 88% de fumonisinas totais e de até 96% de fungos dos gêneros Fusarium sp. e Penicillium spp. “Nesse mesmo estudo pudemos observar que a aplicação do gás ozônio, mesmo por tempo prolongado (até 60 horas), não prejudicou a qualidade dos grãos, mantendo os níveis normais de teor de água, proteínas, lipídeos e cinzas”, complementa.
Leia também
Milho avança no Paraná e pode ultrapassar a soja como principal grão do Estado
Preços do milho seguem em alta com restrição de negócios
Pimentel observa que o ponto de partida para o escalonamento da tecnologia do SiloBio, em parceria com a empresa Nascente, foram esses resultados promissores e o seu potencial para detoxificação de micotoxinas. Outra possibilidade é o uso como agente de controle de insetos e de oxidação de outras moléculas orgânicas que podem ser consideradas contaminantes, como inseticidas e demais agroquímicos.
Desenvolvimento do biorreator
Um biorreator foi desenvolvido para uso nos experimentos voltados ao escalonamento. O equipamento tem como característica principal a movimentação dos grãos no seu interior. No corpo do biorreator foram inseridos anéis com injetores de gás ozônio para promover maior homogeneidade de aplicação na massa de grãos. Nesse sistema, houve vários experimentos com diferentes lotes de milho contaminados naturalmente com variados teores de fumonisinas.
Pimentel relata que uma das formas de medir a eficiência do processo foi determinar a redução percentual relativa dos teores de fumonisinas, após determinado período de aplicação do gás ozônio.
“Tomando esses teores como referência, diversos experimentos foram implementados, onde conseguimos atingir níveis dentro das faixas demandadas por essas indústrias”, comenta o pesquisador.
Pesquisa e engenharia industrial
A entrada da Nascente no projeto aconteceu de forma orgânica. O diretor-executivo e de Tecnologia da empresa, Leonardo Tuschi, conta que dois grandes produtores de suínos do centro-oeste de Minas Gerais entraram em contato com a Nascente em busca de soluções de tratamento de ozônio.
“Após uma primeira experiência de laboratório, fiz questão de ir a campo. Visitei suas propriedade s para entender a operação de ponta a ponta. Ver a realidade do produtor foi a nossa virada de chave. Entramos no projeto exatamente para fazer essa ponte: trazer a robustez da engenharia industrial para o rigor científico da Embrapa”, pontua Tuschi.
A sustentabilidade do SiloBio ocorre pelo seu funcionamento à base de ar e eletricidade. Por isso, os impactos da sua adoção são tão significativos. O primeiro deles é a contribuição para a redução da extração de minerais e outros recursos da natureza, hoje utilizados em grande escala na formulação de produtos para atender às demandas do agronegócio.
“O nosso sistema capta o oxigênio do ambiente, concentra-o e transforma-o em ozônio através de energia elétrica”, ressalta Tuschi.






