A instabilidade geopolítica no Oriente Médio que trouxe incertezas para investidores em alguns mercados acionários, não teve o mesmo impacto para a soja e o milho negociados na bolsa de Chicago. Apesar da forte alta do petróleo, que geralmente mexe com os valores dos grãos no cenário externo, o dia foi de relativa calmaria.
Nesta segunda-feira (2/3), os futuros da soja com vencimento para maio fecharam em queda de 0,58%, a US$ 11,64 o bushel. O petróleo subiu 6%, e, apesar de trazer reflexos para os valores do óleo de soja, que teve alta de 1,44%, o grão ficou alheio a essa movimentação.
“Nós já vimos movimentos de alta recentes para a soja em Chicago. Parte desse impulso já era o mercado tentando antecipar o pior cenário possível dos desdobramentos do conflito, como a disparada do petróleo, ou o fechamento do Estreito de Ormuz”, diz Leonardo Martini, consultor em gerenciamento de riscos da StoneX.
“Agora, deflagrado o conflito no Irã, esse prêmio de risco diminui, pois entende-se que ele pode ter duração mais curta do que se imaginava. Esse pior cenário já foi precificado, e agora o mercado volta a olhar para os fundamentos da soja e do milho, que nesse momento são baixistas”, acrescenta.
Dentre esses fatores considerados negativos para as cotações futuras, Ariel Nunes, analista da Gran Center Commodities, destaca a derrubada das tarifas comerciais de Donald Trump pela Suprema Corte dos EUA, anunciada na semana passada.
“O fim do tarifaço aumenta o rumor de que a maior demanda chinesa por soja dos EUA, anunciada por Trump recentemente, não se concretize mais”.
Com menos demanda e mais oferta, Nunes reforça que há pouco espaço para uma reação dos futuros tanto da soja quanto do milho em Chicago.
“O cenário geopolítico pode ser um fator passageiro, que traz algumas oportunidades de alta, mas no curto espaço de tempo, pois logo o mercado tende a se adaptar, assim como aconteceu com a guerra na Ucrânia. Quando a gente olha o fundamento de oferta, demanda, e clima, que são coisas que se consolidam, ele traz mais peso sobre as cotações futuras”, pontua.
Milho
Alheio às instabilidades do mercado financeiro provocadas pelo conflito armado no Oriente Médio, o preço do milho fechou em leve baixa na bolsa de Chicago. Os contratos para maio recuaram 0,61%, para US$ 4,4575 o bushel.
Trigo
O trigo, que avançou quase 3% na última sessão, hoje fechou com preços em queda após realização de lucros. Os papéis para maio caíram 2,41%, a US$ 5,7725 o bushel.
Investidores embolsaram lucros após o cereal registrar valorização de 5% na bolsa em fevereiro. Outro motivo que direcionou o trigo para baixo é a valorização do dólar em relação ao euro, que tira competitividade das exportações de trigo dos EUA.