Os preços da soja subiram na bolsa de Chicago mesmo com projeções apontando oferta firme da oleaginosa na safra 2025/26. Nesta terça-feira (10/2), os contratos para março subiram 1,06%, cotados a US$ 11,2250 o bushel.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não trouxe mudanças para a produção dos Estados Unidos. A previsão de colheita permaneceu em 115,99 milhões de toneladas. O dado para as exportações ficou em 42,86 milhões de toneladas, e a estimativa para os estoques finais ficou em 9,52 milhões. No caso dos estoques, analistas esperavam um ajuste para baixo, de 9,44 milhões de toneladas.
Ismael Menezes, sócio da MD Commodities, disse que os preços ainda sentem os reflexos das declarações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um possível aumento das compras da China. Porém, ele lembra que enquanto não forem confirmadas essas compras, a tendência é que o USDA reduza as previões de exportação de soja dos americanos, trazendo mais pressão de baixa para as cotações.
“Os embarques de soja dos EUA estão 12 milhões de toneladas abaixo do volume exportado no ano passado. E a partir de agora, a janela de demanda se abre para a safra da América do Sul, portanto, não me parece que teremos um choque de demanda que justifique um movimento de alta nos preços”, disse Menezes.
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Em relação ao Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, o USDA elevou a previsão de safra em 1,1%, para 180 milhões de toneladas, versus uma expectativa dos analistas que era de 179,39 milhões. As exportações brasileiras permaneceram em 114 milhões.
Para Ismael Menezes, fica cada vez mais evidente que as previsões de 180 milhões de toneladas para a safra de soja passam a ser consideradas um piso quando o assunto é rendimento da safra 2025/26 no Brasil. Esse fato deve reforçar o cenário de baixa para as cotações.
“Não é surpresa esse ajuste promovido pelo USDA para a colheita no Brasil. O departamento elevou a estimativa para o país de dezembro para janeiro e fez a mesma coisa agora em fevereiro, e pode continuar subindo mais essa projeção. Já é um ponto consolidado no mercado que a nossa safra deverá ficar entre 183 milhões e 185 milhões de toneladas”, afirmou.
Trigo
Os novos dados sobre oferta e demanda mundial de trigo tiveram pouco impacto para os preços futuros do cereal na bolsa de Chicago. Os contratos com entrega para março registraram leve baixa, de 0,09%, a US$ 5,2825 o bushel.
Diante das alterações consideradas irrisórias, a perspectiva de ampla oferta se mantém. Segundo o Departamento de Agricultura americano, a oferta global de trigo deve atingir 841,80 milhões de toneladas em 2025/26, 370 mil toneladas abaixo da projeção anterior, feita em janeiro.
Em grandes países produtores, como Estados Unidos, Rússia, Canadá e Austrália, o USDA não trouxe alterações nas expectativas de produção.
O ajuste aconteceu apenas para a Argentina, onde a previsão mensal de safra aumentou 1,1%, para 27,8 milhões de toneladas.
Milho
O preço do milho fechou estável na bolsa americana, mesmo com dia marcado por novas projeções para a oferta e demanda mundial. Os contratos para março permaneceram cotados a US$ 4,2875 o bushel.
O Departamento de Agricultura americano reduziu para 1,295 bilhão de toneladas sua previsão para a colheita global de milho em 2025/26. Em janeiro, a projeção apontava para 1,296 bilhão. Além disso, a previsão de consumo global do cereal cresceu, de 1,299 bilhão para 1,301 bilhão de toneladas
Outro dado que teria força de alta para os preços são as informações sobre a safra de milho nos EUA. O departamento aumentou em 3,1% a previsão para as exportações americanas, para 83,82 milhões de toneladas. Diante disso, a estimativa para os estoques finais no país caíram 4,5%, para 54,02 milhões de toneladas.