Os primeiros números sobre a safra de grãos 2026/27 nos EUA tiveram pouco impacto nos preços na bolsa de Chicago nesta quinta-feira (19/2). Contrariando a lógica do mercado, a soja teve alta mesmo com projeção de aumento de área, enquanto o milho se desvalorizou após indicação de redução do plantio. Em relação à soja, os contratos do grão para maio fecharam em alta de 0,61%, a US$ 11,56 o bushel.
Hoje, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apresentou as primeiras estimativas para a safra 2026/27 no país. O destaque fica para os números de área plantada, que dão aos investidores pistas sobre qual será o foco de produção no país. Nesse sentido, o departamento estimou um aumento de 3,5% da área plantada de soja nos EUA em 2026/27, para 34 milhões de hectares, em comparação com os 32,86 milhões de hectares estimados para a temporada 2025/26.
O número veio em linha com as expectativas da grande maioria dos agentes, e por isso teve pouco impacto nos preços em Chicago, avaliou Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
“Os números não surpreenderam, já que em termos de rentabilidade relativa o cenário está mesmo mais favorável para o plantio de soja. Além disso, o custo com a safra de milho é maior, e como a área do cereal cresceu bastante na safra passada, foi preciso pensar na rotação de culturas”, disse.
Na avaliação de Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, o USDA promove um excesso de informações ao mercado, que acabam entrando em descrédito.
“Em anos anteriores havia um repercussão muito maior das primeiras projeções sobre a área plantada. Mas agora isso mudou, pois em março o USDA vai trazer os dados com intenção de plantio já com a participação dos produtores americanos, então o investidor vai esperar esse dado, que é mais concreto, para poder se posicionar”, afirmou.
Os números apresentados nesta quinta-feira pelo USDA consideram apenas análises estatísticas, sem a realização, portanto, de pesquisas de campo. Esse é mais um fato que ameniza o impacto dos números para o mercado, de acordo com Fernandes.
Milho
Em relação ao milho, os dados do USDA, que deveriam ser positivos para as cotações, não tiveram o efeito esperado. Assim, os contratos para março fecharam a sessão em queda de 0,29%, a US$ 4,2575 o bushel.
De acordo como departamento americano, a área plantada com milho nos EUA deverá cair 4,8% em 2026/27. Seguindo a lógica de mercado, a redução da área resulta em menos oferta, o que poderia sustentar preços mais altos em Chicago. No entanto, como já mencionado anteriormente, os números divulgados vinheram em linha com as expectativas de analistas de mercado.
Trigo
O trigo, por sua vez, avançou em Chicago, mas com os novos dados do USDA trazendo impacto parcial para o fechamento. Os contratos com entrega para maio subiram 2,58%, a US$ 5,6675 o bushel.
O Departamento de Agricultura dos EUA estimou hoje redução de 1,8% na área de cultivo de trigo no país em 2026/27, que deverá abrangendo 18 milhões de hectares em 2026/27, em comparação a 18,33 milhões de hectares na safra 2025/26.
A redução na área, que já estava precificada por analistas, somou-se às informações de falta de chuvas em importantes áreas produtoras de trigo nos Estados Unidos.