
A São Martinho avalia que as chuvas que estão ocorrendo neste verão vão ajudar a recuperar a produtividade dos canaviais na próxima safra (2026/27). Esta melhora deve colaborar para a diluição dos custos de produção, o que é fundamental em um ambiente em que os preços do açúcar continuam sem uma perspectiva de recuperação.
“Até o momento, as chuvas de verão foram boas nas regiões onde estamos. Temos bastante reserva hídrica. A qualidade da cana está boa, bem tratada”, afirmou Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, em teleconferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre da safra atual (2025/26).
Segundo ele, a perspectiva é de que a próxima safra tenha um volume de cana maior para processar, reduzindo os custos fixos “para enfrentar um cenário de preços de açúcar fora do razoável”, avaliou.
Nesta terça-feira (10/2), os contratos do açúcar para entrega em março (período ainda de entressafra no Centro-Sul do Brasil) fecharam a 14,12 centavos de dólar a libra-peso, e os contratos para outubro (no fim do período de moagem da próxima safra) fecharam a 14,04 centavos de dólar a libra-peso.
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O custo de produção de açúcar da São Martinho nesta safra até dezembro está em R$ 1.887 a tonelada, o que ainda lhe garantiu uma margem operacional de 19,1%, considerando um preço executado de R$ 2.331 a tonelada.
Esse custo médio de produção de açúcar na São Martinho teve pouca variação nesta safra e ficou apenas 1,3% abaixo dos nove primeiros meses da safra passada. Segundo Vicchiato, muitas usinas no país têm custo acima de R$ 2.000 a tonelada e já há quem esteja com margens negativas.
O plano da companhia é ajustar os custos com ganhos de produtividade, o que indica ser um cenário mais provável para 2026/27.
Em seus cálculos, a São Martinho conseguiria reduzir seu custo médio entre 10% a 15% se a produtividade agrícola de seus canaviais subirem dos atuais 77 toneladas por hectare para 85 toneladas por hectare na próxima safra — nível que já foi obtido pela empresa no passado —, e se a concentração de sacarose se recuperar, dos atuais 139 quilos por tonelada de cana para 142 quilos por tonelada de cana.
Ainda segundo Vicchiato, a São Martinho deve iniciar as operações da próxima safra com uma produção totalmente voltada à fabricação de etanol. A aposta da empresa é de que, com o passar do tempo, essa maximização do biocombustível comece a enxugar a oferta de açúcar e, em algum momento, influencie a formação dos preços na bolsa de Nova York.
Até o momento, a companhia acertou o preço de exportação de 301 mil toneladas de açúcar para 2026/27. Em um cenário de maximização da produção de etanol, esse volume representaria cerca de 30% do total disponível para hedge.






