
A decisão da China de estabelecer uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a importação de carne bovina do Brasil, com tarifa de 55% sobre o volume que exceder esse limite, deve limitar a valorização do boi gordo e, consequentemente, da carne bovina no mercado interno. Segundo analistas ouvidos pela reportagem, o anúncio será “uma pedrada” no setor.
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“O preço pode talvez não cair, mas talvez ele não subiria como ele iria subir se a gente estivesse exportando o mesmo volume”, disse Paulo Mustefaga, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Ele afirmou que o volume total exportado pelo Brasil para a China em 2025 deve ficar próximo de 1,7 milhão de toneladas, portanto acima da cota estabelecida pelo país asiático.
Ainda assim, Mustefaga disse que a redução potencial de até 600 mil ou 700 mil toneladas exportadas não significa, necessariamente, maior oferta imediata no mercado interno. “Não necessariamente esse excedente ele sobraria para o mercado interno, porque a gente pode, ao contrário, ter um desestímulo da produção interna”, observou.
Segundo Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da Safras & Mercado, a medida limita a expansão do setor e altera a dinâmica de preços no mercado doméstico. “Numa análise inicial, é um cenário baixista”, afirmou Iglesias, ao destacar que a China responde por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina.
“Vai ficar difícil a arroba do boi gordo apresentar uma alta explosiva. Aqueles R$ 400 [a arroba] que o pecuarista sonhava parecem pouco provável que se concretize nesse cenário”, afirmou o analista.






