O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do Brasil, projeta uma safra 2025/26 acima da média histórica, podendo chegar a 905.291 toneladas, um aumento em torno de 5% em relação à temporada 2024/25. A estimativa é da Emater/RS, empresa pública de extensão rural do Estado.
As condições climáticas do inverno de 2025 foram determinantes para o bom desempenho da safra. De acordo com Thompsson Didone, extensionista rural da Emater/RS, as videiras necessitam de um número mínimo de horas de frio abaixo de 7,2 °C para uma brotação uniforme e boa formação dos cachos.
As variedades americanas, ou “comuns”, como Niagara, Isabel e Bordô, mais usadas para sucos, doces e consumo in natura, demandam entre 150 e 250 horas anuais de frio. Já algumas uvas viníferas exigem até 400 horas de temperaturas baixas.
“Nesse ano, em várias regiões do Estado, superamos 400 horas de frio, com temperaturas estáveis, sem oscilações bruscas. Isso permitiu uma excelente emissão de brotos e cachos, refletindo diretamente no potencial produtivo da safra”, destaca Didone.
Em relação à qualidade, o extensionista ressalta que as avaliações ainda são parciais. “A uva que está sendo recebida até o momento apresenta boa qualidade. Ainda é cedo para uma avaliação definitiva, pois a qualidade depende muito das condições climáticas semana a semana, como períodos de chuva ou maior insolação”, explica.
Apesar do bom desenvolvimento das plantas, a colheita iniciou com um atraso de 10 a 15 dias em relação a uma safra considerada normal. Segundo a Emater/RS, esse atraso está relacionado, principalmente, às temperaturas mais baixas e à menor incidência de sol no mês de setembro, que retardaram o desenvolvimento vegetativo das videiras. “Esse atraso não interferiu na qualidade da uva. Apenas alongou o ciclo”, ressalta Didone.
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Segundo a Emater/RS, cerca de 15 mil famílias gaúchas, em sua maioria agricultores familiares, estão envolvidas diretamente no cultivo da uva. Atualmente, o Estado possui aproximadamente de 42,4 mil hectares cultivados com uva.
“A maioria dessa área é destinada à uva para processamento industrial, utilizada na elaboração de vinhos, sucos e espumantes. No entanto, o Estado também conta com uma área expressiva de mais de 3 mil hectares de uva de mesa, voltada ao consumo in natura”, detalha Didone.
As primeiras vinícolas já iniciaram o processo de industrialização, que deve se intensificar nas próximas semanas. A previsão é de uma safra com duração de um mês e meio a dois meses, dependendo das condições climáticas ao longo do período de colheita.
Em relação às variedades cultivadas, aproximadamente 85% da produção gaúcha é composta por uvas americanas e híbridas, enquanto as viníferas representam entre 12% e 15% da área plantada.