
Durante reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) nesta terça-feira (10/2) no Senado Federal, integrantes da bancada ruralistas alertaram que as salvaguardas negociadas com os europeus podem restringir ganhos imediatos e exigir ajustes internos para preservar a competitividade do setor agropecuário brasileiro no âmbito do acordo entre os blocos da América do Sul e da Europa.
A principal preocupação é com segmentos mais sensíveis no Brasil, que podem ser impactados com o aumento das importações de produtos europeus, como as cadeias de lácteos e vinhos. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) prega cautela em relação às salvaguardas aprovadas na Europa.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou que as cláusulas de proteção negociadas com a UE exigem atenção. “Todo acordo envolve concessões, mas algumas salvaguardas limitam o crescimento de setores estratégicos. Precisamos acompanhar de perto para que isso não reduza a competitividade do agro brasileiro”, afirmou na reunião.
Para a senadora, mecanismos que impõem restrições graduais a produtos como carnes e açúcar podem afetar o ritmo de expansão das exportações. “É fundamental garantir reciprocidade e demonstrar, com dados e transparência, a sustentabilidade do nosso sistema produtivo”, disse.
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A deputada Ana Paula Leão (PP-MG) chamou a atenção para a situação da cadeia leiteira. “O problema não é apenas o volume importado, mas o preço. Produtos subsidiados podem pressionar o mercado interno e afetar diretamente o produtor brasileiro”, afirmou. A parlamentar defendeu o uso de instrumentos de defesa comercial e o acompanhamento rigoroso das cotas previstas no tratado.
A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul adiou a votação do parecer sobre o acordo após pedido de vista do deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE). O texto, relatado pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), retornará à pauta em 24 de fevereiro. Se aprovado, será transformado em projeto de decreto legislativo e seguirá, em regime de urgência, para análise da Câmara e do Senado.






