A Raízen avançou de forma agressiva na fixação de preços do açúcar a ser produzido na próxima safra (2026/27), diferentemente de boa parte das usinas de cana do Brasil. Até o fim do terceiro trimestre, a companhia já havia feito o hedge de 60% do açúcar a ser exportado, a um preço médio equivalente a R$ 1,11 a libra-peso.

Esse preço está “acima dos atuais níveis de mercado” e próximo dos patamares realizados na safra atual (2025/26), afirmou na sexta-feira (13) Philippe Casale, diretor de relações com investidores da Raízen, em teleconferência com analistas para comentar o resultado da empresa no terceiro trimestre do ciclo. Entre outubro e dezembro de 2025, a empresa teve um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões.

Na safra atual, de abril a dezembro, a Raízen vendeu seu açúcar por um preço médio 7% menor do que no mesmo período da temporada passada. O valor médio ficou em R$ 2.389 a tonelada.
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Raízen teve prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025/26

A redução do preço da commodity tem afetado as margens do negócio de açúcar e etanol da empresa nesta safra, ramo que sempre contribuiu om uma geração de caixa mais relevante para a Raízen. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do negócio já caiu 28,1% no acumulado em nove meses do ciclo, ou cerca de R$ 1,5 bilhão, para R$ 3,9 bilhões.

Segundo Casale, a estratégia de avançar no hedge deve “mitigar o efeito da queda do [preço do] açúcar recente”.
Prejuízo bilionário
A Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, conforme balanço divulgado no fim da noite da quinta-feira (12).
O resultado foi fruto de uma baixa contábil (impairment) de R$ 11,1 bilhões relativa à reclassificação de ativos diante da piora da estrutura de capital e alta do custo financeiro.
Os outros R$4,5 bilhões refletiram a piora do desempenho operacional no segmento de açúcar e etanol, que acabou ofuscando a melhora da geração de caixa no segmento de distribuição de combustíveis.