
Um ciclone extratropical irá se formar ao longo da costa do Sul e do Sudeste do Brasil pela quarta vez em 2026. O fenômeno começa a se estruturar a partir desta quarta-feira (4/2) e deve provocar impactos em quatro regiões.
O Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, tende a ser o Estado mais atingido, com volumes de chuva de até 90 milímetros acima da média. No Sul e no Sudeste, os acumulados podem chegar a 60 milímetros acima do esperado para a época do ano, enquanto o número no Nordeste é de 30 milímetros.
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Mapa mostra atuação de ciclone (identificado pela letra L no campo de pressão) desta semana
Meteored
A formação do fenômeno na primeira semana do mês de fevereiro, após a ocorrência de três semelhantes em janeiro, chama a atenção por fugir do padrão . Isso porque, os ciclones extratropicais, definidos como sistemas de baixa pressão responsáveis por mudanças bruscas no tempo, principalmente ventos fortes e chuvas intensas, são mais comuns no outono e no inverno brasileiro.
Segundo Guilherme Borges, meteorologista da FieldPRO, a maior frequência nas estações frias está relacionada à intensificação do gradiente térmico entre os trópicos e os polos, ou seja, à diferença de temperatura das regiões mais quentes e próximas à linha do Equador com as áreas de influência polar.
“Com esse contraste mais acentuado, o jato atmosférico subtropical ganha força, e as frentes frias que acompanham os ciclones extratropicais tornam-se mais frequentes. Ainda assim, apesar da condição favorecer o fenômeno no frio, ele pode ocorrer em outros períodos do ano também”, explica.
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O meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, acrescenta que a recorrência de alertas durante o verão chama a atenção, mas não é inédita.
“No outono e no inverno, a diferença de temperatura é maior, o que faz com que os ciclones extratropicais se tornem mais intensos mesmo. O pico, então, realmente costuma ser observado entre o fim do outono e o início da primavera, atravessando todo o inverno. Eles também tendem a se formar mais próximos da costa, provocando vendavais e forte agitação marítima”, afirma.
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Em 2026, os ciclones extratropicais têm se desenvolvido mais próximos do litoral brasileiro em razão de perturbações atmosféricas, como ondas vindas da Antártica, que acabam posicionando os sistemas em áreas com maior potencial para tempestades.
“Chamo a atenção não para a quantidade, que está dentro do normal, mas para a posição mais perto da costa. Em uma análise feita nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, há cerca de 65 ciclones ativos no mundo, muitos deles extratropicais. É importante destacar que essa contagem considera os dois hemisférios, e o Hemisfério Norte está no inverno e concentra a maior parte deles neste momento. Ainda assim, é normal a ocorrência pelo planeta, inclusive durante o verão, com alguns deles atuando próximos à América do Sul e até do Brasil”.
Ciclone exratropical
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A frequência de ciclones tem relação com a crise climática?
Não há consenso científico de que o número de ciclones extratropicais no verão esteja aumentando de forma clara e contínua em decorrência do aquecimento global. A percepção está relacionada, principalmente, à maior cobertura e visibilidade do fenômeno e aos impactos recentes registrados no país, avalia Borges.
“Eu acredito que esses eventos estejam mais noticiados em razão dos efeitos significativos que os últimos causaram, especialmente, no Rio Grande do Sul. Além disso, o aquecimento das águas do Oceano Atlântico pode favorecer uma intensificação pontual, mas a variabilidade é natural”.
Ele ainda pontua que alguns anos podem apresentar mais sistemas do que outros devido a fatores atmosféricos específicos.
“Essa variação depende. Quando o jato subtropical está mais ondulado, há maior suscetibilidade à formação de frentes frias. Hoje, também contamos com mais registros e maior cobertura desses eventos, o que pode dar a impressão de aumento, quando, na verdade, pode se tratar apenas de um período naturalmente mais ativo”.
Fevereiro terá outros ciclones?
A tendência é que não. Segundo Celso, o ciclone extratropical é uma oscilação atmosférica de curto prazo. “A partir do Carnaval, por exemplo, não devemos falar neste sistema por uma semana ou até dez dias. As frentes frias devem permanecer mais distantes do Brasil”, conclui.





