
A colheita de soja no Brasil em 2025/26 deve alcançar o volume inédito de 182,2 milhões de toneladas, segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (15/1) pela Agroconsult, que organiza o Rally da Safra, expedição que percorre as principais regiões produtoras do país.
Pelos cálculos da consultoria, a colheita nacional deve crescer mais de 10 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, graças ao desempenho das lavouras em regiões do Sul, como o Rio Grande do Sul, e ainda ao clima adequado para o desenvolvimento das plantas.
“Essa safra começou diferente das outras. Ano passado, nessa mesma época, já tínhamos problemas de produtividade no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Não me lembro de uma safra começar com uma situação tão favorável como essa [de 2025/26]”, disse, em coletiva, André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.
“Caso boas previsões para os próximos três meses se concretizem, e beneficiando as lavouras de ciclo médio e tardio, a safra pode ser ainda maior”, acrescentou.
Diferentemente do ano passado, quando o Rally da Safra apontou recorde de produtividade em oito Estados, neste ano, o rendimento deverá ter um desempenho mais uniforme ao analisar as principais regiões produtoras. Um dos destaques será o Rio Grande do Sul.
“Dentre as principais regiões de produção, o Rio Grande do Sul foi o único a reduzir investimento em tecnologia nas lavouras. No entanto, o La Niña, que trouxe expectativa de um janeiro mais seco, não se confirmou. Então podemos esperar uma safra que facilmente passará das 21 milhões de toneladas de soja, após as quebras que renderam 16 milhões no ano passado”, pontuou Debastiani.
Sobre a área de cultivo com a soja, a Agroconsult estimou 48,8 milhões de hectares, com alta de 2,1% se comparado com a temporada 2024/25.
Na avaliação de André Debastiani, o incremento de área de área no país vem diminuindo. Ele ressalta, porém, que não há desinvestimento por parte dos produtores, que, segundo ele, têm mantido bom nível de recursos em adubação, sementes e insumos pensando no aumento das produtividades.
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Exportação
O Brasil também deve ofertar ao exterior um volume inédito da oleaginosa, que pode chegar a 112 milhões de toneladas, conforme projeção da Agroconsult. Na safra anterior o país embarcou 108 milhões, de acordo com a empresa.
Diferentemente do ano passado, no entanto, as vendas do maior exportador mundial de soja encontram um cenário geopolítico diferente, e agora precisa dividir com os EUA a missão de abastecer os chineses, que amenizaram as tensões políticas após conversas com a Casa Branca em outubro do ano passado.
Para Anderson Lo Turco, sócio da Agroconsult, independentemente do acerto entre EUA e China, o Brasil vai abocanhar boa parte das vendas ao país asiático.
“Acredito que vamos exportar entre 70% a 75% da nossa estimativa para a China neste ano. Não vejo a dinâmica [de exportação de soja] dos EUA com os chineses mudar. Ainda somos o destino mais competitivo não só para a China, e sim para todo o sudeste asiático. Então o bom desempenho das nossas exportações vai depender do tamanho que será essa demanda por soja”, disse, em coletiva.
Para André Debastiani, coordenador do Rally da Safra, expedição da Agroconsult que percorre as lavouras do país, existe potencial para o Brasil exportar um volume acima de 112 milhões de toneladas, desde que as instabilidades do cenário geopolítico não afetem a comercialização.
“Ainda somos o país mais competitivo [na exportação de soja], mas esse desempenho vai depender muito de fatores, como a confirmação de novos acordos comerciais, e ainda questões geopolíticas, como o impasse envolvendo o Irã”, ressaltou Debastiani, lembrando a fala do presidente dos EUA, Donald Trump, que declarou, recentemente, a intenção de taxar em 25% países que façam negócios com o Irã.






