
Em dia de ampla volatilidade para as commodities agrícolas, devido às incertezas no campo da geopolítica, os preços do algodão e do açúcar caíram na bolsa de Nova York, contrariando a lógica de mercado.
Um dos destaques foi o algodão, cujo contrato para maio registrou queda de 1,55% nesta segunda-feira (2/3), cotado a 64,59 centavos de dólar por libra-peso.
O algodão se desvalorizou mesmo com a forte alta do petróleo no cenário externo, que subiu mais de 6% nesta segunda. A elevação do petróleo tende a encarecer o algodão porque, com o fóssil mais caro, os tecidos naturais ficam mais competitivos em relação aos sintéticos.
Uma das razões para a disparada do barril está no bloqueio ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo bruto no mundo. A rota é utilizada por grandes importadores mundiais de commodities, como a China.
“O impacto econômico na China com o fechamento do Estreito de Ormuz tende a ser muito acentuado, e isso reflete no comércio que o país faz com todo o mundo, inclusive os negócios de algodão com o Brasil. Por causa desse cenário de incerteza, os preços reagiram de forma negativa”, destaca Eduardo Santiago, da Santiago Cotton.
Açúcar
O açúcar demerara fechou em leve alta na bolsa. Os papéis para maio subiram 0,22%, a 13,90 centavos de dólar a libra-peso.
Também havia expectativa de que o fechamento do petróleo trouxesse ainda mais impacto para o açúcar na bolsa. A alta do petróleo eleva a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis, o que pode fazer com que as usinas direcionem mais cana à produção do biocombustível em detrimento do adoçante.
Mas com projeções de oferta abundante, há pouco espaço para uma reação mais consistente do açúcar no cenário externo. Além das previsões de superávit global para a safra 2025/26, a XP destaca, em relatório, expectativas consolidadas para uma safra de cana-de-açúcar entre 620 milhões e 630 milhões de toneladas no Centro-Sul do Brasil em 2026/27.
Cacau
O cacau iniciou o mês com preços em alta na bolsa de Nova York, depois de acumular baixa de 28% em fevereiro. Na sessão de hoje, os contratos com entrega para maio avançaram 4,61%, a US$ 3.021 a tonelada.
A reação, considerada pontual, já era amplamente esperada por analistas, considerando a forte tendência de queda vivida pelo cacau na bolsa.
Com previsão de melhor oferta, e redução na demanda, os preços da amêndoa registram baixa de mais de 60% em Nova York nos últimos 12 meses.
Café
O café subiu na bolsa nova-iorquina também após ajustes técnicos. Os lotes que vencem em maio fecharam em alta de 1,37%, a US$ 2,8460 a libra-peso.
Suco de laranja
O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) voltou a registrar forte queda. O contrato para maio fechou em baixa de 5,04%, cotado a US$ 1,7235 a libra-peso.






