
O milho liderou a queda no preço dos grãos na bolsa de Chicago após dados robustos de oferta divulgados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Nesta segunda-feira (12/1), os papéis para março fecharam a sessão em forte baixa, de 5,44%, cotados a US$ 4,2150 o bushel.
As cotações foram impactadas diretamente pelo novo balanço entre oferta e demanda apresentado pelo USDA, especialmente para a safra dos Estados Unidos. O USDA estimou uma produção de milho no país de 432,34 milhões de toneladas, volume 1,6% acima da estimativa divulgada no mês passado, e que não estava no horizonte de analistas de mercado.
“Havia sim um sentimento de uma supersafra nos EUA, mas não nessa proporção divulgada pelo USDA. Pelo o que o mercado vinha acompanhando, a indicação era para uma colheita abaixo das 425 milhões. Esse aumento [na previsão de safra] pegou todo mundo de surpresa”, afirma Leonardo Martins, consultor em gerenciamento de riscos da StoneX.
Outro dado que jogou as cotações para baixo foram os números esperados para os estoques finais americanos. O USDA calculou reservas de 56,56 milhões de toneladas, volume 9,8% acima do que estava previsto na estimativa anterior, e que joga ainda mais pressão de baixa para os contratos futuros.
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“Com a baixa de hoje, os preços voltaram aos patamares pré-colheita nos EUA, e agora vão precisar de muitas notícias positivas para se recuperar”, destaca o analista
Soja
A soja também foi impactada pelas novas projeções de safra global. Como resultado, os lotes com entrega para março fecharam em queda de 1,27%, para um valor de US$ 10,49 o bushel.
As projeções mais recentes Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para as safras americanas e do Brasil direcionaram o movimento de queda. Com os trabalhos de colheita de soja concluídos há mais de um mês, o USDA ajustou para cima sua previsão de safra nos EUA, com 0,2% a mais que em dezembro, e uma produção esperada de 115,99 milhões de toneladas.
Sobre a demanda por soja americana, que neste momento está enfraquecida, diante das compras chinesas abaixo do esperado, o USDA reduziu em 3,7% a previsão para exportações, agora previstas em 42,86 milhões de toneladas.
Diante do balanço mais folgado entre oferta e demanda, a estimativa para os estoques finais dos EUA cresceu expressivamente em janeiro, 20,7%, com volume de 9,52 milhões de toneladas.
No caso do Brasil, maior exportador mundial de soja, o USDA aumentou em 1,7% a estimativa de safra no país, para 178 milhões de toneladas. No caso das exportações, a projeção teve incremento de 1,3%, com 114 milhões de toneladas.
“Faz muito sentido esse ajuste do USDA para a safra brasileira, já que as primeiras colheitas por aqui mostram produtividades acima do esperado. Se daqui para frente o clima continuar bom, e o Rio Grande do Sul produzir dentro da normalidade após os problemas de clima no passado, o Brasil devemos ajustar nossa previsão de safra para algo mais próximo das 180 milhões de toneladas”, diz Martini, lembrando que a última projeção da StoneX para a safra brasileira é de 177 milhões.
Trigo
O Departamento de Agricultura dos EUA reforçou hoje o quadro de demanda abundante de trigo, fato que manteve os preços em baixa na bolsa de Chicago. Os papéis do cereal para março caíram 1,16%, negociados a US$ 5,1125 o bushel.
A projeção mais recente do USDA indicou que a safra mundial deve alcançar 842,17 milhões de toneladas, acréscimo de 0,5% se comparado com a projeção feita em dezembro.
Para os EUA, onde as projeções geralmente têm peso maior sobre o mercado, a previsão de colheita ficou estável em relação a dezembro, em 54,01 milhões de toneladas. Por outro lado, a estimativa para os estoques americanos cresceu 2,8%, para 25,21 milhões de toneladas, reforçando o quadro positivo com a oferta.






