O Brasil tende a apresentar um aumento na produção de café na safra 2026/27, o que deve pressionar os preços internacionais da commodity para uma faixa mais próxima de US$ 3,50 por libra-peso, de acordo com Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.
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O contrato para março de 2026 negociado na bolsa de Nova York fechou a US$ 3,79 por libra-peso na quarta-feira (26/11).
“Preços abaixo de US$ 4 se justificam pela expectativa de safra melhor no Brasil no ano que vem, mas precisa acontecer muita coisa. Precisa cair chuva nos próximos meses. Os mapas meteorológicos estão bons, isso traz algum conforto”, disse Alves.
O analista acrescentou que o consumo global de café desacelerou por conta dos preços altos. A expectativa é que a safra 2025/26 possa encerrar com um superávit na produção de até 15 milhões de sacas em relação ao consumo, contra 7 milhões na safra anterior.
Ele pondera também que a safra brasileira recém-colhida foi menor que a anterior e há pouco café para ser comercializado até o fim da safra, em junho de 2026, dando suporte aos preços no período, impedindo quedas mais significativas.
De acordo com o Itaú BBA, a falta de chuvas em Minas Gerais em outubro causou perda de botões da florada de setembro. Em compensação, houve uma nova florada que tem sido beneficiada pelas chuvas de novembro.
“Os sinais são bons para a safra de café arábica. Não vai ser uma safra espetacular como a de 2020, de 50 milhões de sacas, mas vai ser maior que a deste ano, de 38 milhões. E não é impossível haver recorde na produção do conilon, que cresce muito”, observou Alves.
O Itaú BBA projeta a safra colhida em 2026 de 62,8 milhões de sacas, sendo 38,7 milhões de sacas de café arábica e 24,1 milhões de sacas de café robusta.