Após uma sequência de nove quedas consecutivas na bolsa de Nova York, os preços do cacau finalmente reagiram, no entanto a tendência no médio prazo não deve mudar. Nesta sexta-feira (20/2), os papéis da amêndoa para maio fecharam em alta de 3,92%, a US$ 3.178 a tonelada.
A longa sequência de baixas nos últimos dias deixou o cacau com queda de 20% na bolsa americana apenas este mês, segundo o Valor Data. A StoneX destacou que os preços atuais levaram as cotações aos patamares registrados antes da crise de oferta, em 2023.
“O principal vetor de queda [nos preços] veio de Gana, que anunciou mudanças no mecanismo de financiamento das compras de cacau e reduziu o preço mínimo ao produtor. O novo modelo prevê pagamento equivalente a 70% do valor FOB ao produtor e a emissão de títulos domésticos para financiar o fluxo comercial”, explicou, em nota, Caio Santos, consultor em gerenciamento de riscos pela StoneX.
Gana é o segundo maior produtor de cacau do mundo. Na Costa do Marfim, líder na produção global da amêndoa, a discussão sobre preços também reverbera no mercado. Por lá, no entanto, houve manutenção dos preços mínimos.
“O descompasso entre os dois maiores produtores globais pode estimular o fluxo informal entre fronteiras, com impacto potencial no timing de embarques e nos diferenciais regionais, aspectos monitorados de perto por compradores industriais devido ao efeito direto sobre a composição de custos”, ressaltou a StoneX.
Para a consultoria, as condições climáticas nas principais regiões produtoras também reforçam o quadro de baixa para o cacau, com chuvas próximas da média histórica em Costa do Marfim e Gana.
Pelo lado da demanda, os dados de moagem na Costa do Marfim, principal indicador de consumo local, mostraram retração anual de 2,1% em janeiro. A StoneX avaliou que os dados de processamento confirmam a sensibilidade do consumo aos níveis elevados de preços, mas também sinaliza que parte da pressão já foi absorvida pelo mercado.
“Com esse realinhamento, as cotações atuais oferecem uma oportunidade relevante para indústrias que buscam travar parte das compras de 2026 a níveis mais equilibrados”, finalizou a consultoria.
Suco de laranja
Pelo lado das quedas, o destaque em Nova York ficou com o suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês). Mesmo após recuo de 5% na véspera, os lotes que vencem em maio fecharam a sessão em forte queda, de 9,29%, com o valor de US$ 1,6995 a libra-peso.
Segue a tendência de baixa para o suco na bolsa, em meio à recomposição dos estoques globais e ainda fraqueza na demanda pelo suco.
Algodão
O algodão manteve a valorização registrada na última sessão na bolsa de Nova York. Os contratos da pluma com vencimento em maio subiram 2,32%, a 65,63 centavos de dólar a libra-peso.
Açúcar
O açúcar demerara se valorizou na sessão desta sexta. Os lotes do demerara para maio fecharam em alta de 1,24%, negociados a 13,87 centavos de dólar a libra-peso.
Café
O café fechou com preços praticamente estáveis. Os lotes do arábica para maio subiram 0,11%, a US$ 2,8570 a libra-peso.