Além das temperaturas que, facilmente, passam dos 30°C em todas as regiões, as pancadas de chuva são outra marca do verão no Brasil. Concentradas no fim da tarde, elas têm duração curta, mas intensidade suficiente para provocar alagamentos, inundações, deslizamentos de terra e prejuízos no campo.
As chuvas de verão ocorrem em dias muito quentes e úmidos, típicos da estação. Quando o ar aquecido próximo ao solo sobe rapidamente, ele se condensa ao encontrar camadas mais frias da atmosfera e dá origem às nuvens do tipo cumulonimbus, conhecida pelo desenvolvimento vertical e responsável por tempestades intensas e passageiras.
“Os dias duram mais tempo no verão pela maior incidência de radiação solar e também temos mais disponibilidade de umidade pela circulação atmosférica. Essa combinação origina nuvens mais altas no fim de tarde e que são bem comuns nessa época do ano”, explica Guilherme Borges, meteorologista da FieldPRO.
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A duração das tempestades – entre 30 minutos e 1h – está diretamente relacionada à nuvem cumulonimbus, que tem um ciclo de vida curto, ou seja, libera toda a concentração de energia de uma só vez. Em seguida, rapidamente se dissipa.
“Temos vários tipos de nuvens de chuva, mas a que mais traz chuva mais significativa agora é a famosa cumulonimbus. Ela é associada a muita chuva, raios e vento. Quando temos a combinação de aquecimento rápido e mais umidade, é a cumulonimbus que se forma”, completa o especialista ouvido pela Globo Rural.
As chuvas de verão são perigosas?
Sim. Isso porque, além do volume de água, elas são acompanhadas de raios, ventos e granizo, condição que aumenta o risco de acidentes e prejuízos significativos à agricultura.
Em novembro de 2025, por exemplo, pedras de gelo devastaram pomares de pêssego, maçã, uva, ameixa, caqui e nectarina na área rural de Fraiburgo (SC). O prejuízo em apenas duas propriedades rurais ultrapassa os R$ 3 milhões, segundo os produtores.
“Como esse é o período do ano que mais chove, o risco de enxurradas, queda de galhos e árvores e deslizamentos por causa do solo molhado é bem alto. O verão é um período crítico para esses acontecimentos”, alerta Borges.
Por que a chuva de verão é localizada?
É comum durante a estação mais quente do ano que uma área registre chuva intensa, enquanto, a poucos metros, o tempo permaneça seco e ensolarado. Conforme o meteorologista da FieldPRO, a diferença ocorre por causa dos microclimas, que são as condições climáticas específicas de cada região dentro de uma mesma cidade.
“Se a gente pegar a capital paulista, que é muito grande, o aquecimento e a umidade da região sul serão diferentes no norte. E isso acontece em todas as capitais grandes no Brasil. Temos essa variabilidade de um ponto para outro justamente pelo aquecimento diferenciado”, finaliza.
Outro fator está relacionado ao tipo de nuvem. Como a cumulonimbus tem grande desenvolvimento vertical e pouca extensão horizontal, ela libera todo o volume de água em uma área restrita, tornando as pancadas intensas, curtas e localizadas.