
A pesquisa que apontava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na projeção de segundo turno, na eleição deste ano, foi divulgada por uma empresa mexicana sem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento foi publicado inicialmente na rede social X, na última segunda-feira (27).
A pesquisa apontava Flávio com 48% das intenções de voto contra 47% de Lula, em um hipotético segundo turno para 2026, dentro da margem de erro. Realizado entre 23 e 25 de janeiro com 1.200 eleitores maiores de 18 anos em todo o país, o estudo usou painel online combinado com “river sampling” (recrutamento via internet), seguido de ajuste demográfico. A divulgação chamou a atenção por descumprir normas da Justiça Eleitoral.
Desde 1º de janeiro, pesquisas com conteúdo eleitoral exigem registro no TSE até cinco dias antes da divulgação, sob pena de multa entre R$ 50 mil e R$ 106.410. A empresa mexicana removeu a postagem em respeito à lei e informou que busca registro formal, citando prazos específicos para agências estrangeiras. O TSE confirmou as punições, mas não detalhou ações específicas até o momento.
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Quais requisitos uma empresa de pesquisas deve cumprir para divulgar pesquisa de intenção de voto, segundo o TSE?
Para divulgar pesquisas de intenção de voto, empresas devem cumprir requisitos rigorosos estabelecidos pelo TSE, conforme a Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições) e a Resolução TSE nº 23.600/2019.
O registro deve ser feito exclusivamente pelo Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), até cinco dias antes da divulgação, incluindo dados como nome do contratante (com CPF/CNPJ), valor e origem dos recursos, metodologia, período de coleta, número de entrevistas, margem de erro, nível de confiança e plano amostral (sexo, idade, instrução, renda e área). Empresas novas precisam se cadastrar previamente no sistema; as antigas, apenas registrar o novo levantamento.
Meio/Ideia
A primeira pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano de 2026, divulgada pelo instituto Meio/Ideia, apontou Lula na liderança absoluta em todos os cinco cenários simulados de primeiro turno para as eleições presidenciais, com percentuais variando entre 40% e 44% das intenções de voto contra os adversários. A sondagem ouviu 2 mil eleitores entre 8 e 12 de janeiro, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, revelando vantagem folgada do petista sobre nomes da direita como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO).
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No principal cenário, Lula registra 40,2% contra 32,7% de Tarcísio de Freitas, com Zema e Caiado empatados em 5,5%, Renan Santos (Missão) em 0,5% e Aldo Rebelo (DC) em 0,4%; brancos/nulos somam 3,6% e indecisos, 11,8%. Em outras simulações, o presidente mantém liderança similar, superando adversários em até 15 pontos. A liderança é registrada mesmo com o índice de rejeição de Lula, que é o maior entre os testados.
A direita fragmentada beneficia Lula no primeiro turno, conforme aponta a pesquisa, sendo Tarcísio o candidato mais competitivo desse campo (variando de 32% a 35% nos diferentes cenários), seguido por Zema e Caiado em patamares mais baixos (4-6%), enquanto nomes como Ratinho Júnior (PR) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem em disputas paralelas com menor tração.
Nas simulações de segundo turno, Lula vence a maioria com folga: 46,3% contra 36,5% de Caiado e igual contra Zema (46,3% x 36,1%), além de margens acima de 10 pontos sobre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (até 12 pontos de vantagem). Ele também vence Tarcísio numericamente (44,4% x 42,1%), sendo este o único cenário em que pode-se considerar empate técnico, levando em conta a margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
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Como funcionam as pesquisas eleitorais?
Pesquisas eleitorais funcionam como levantamentos científicos de opinião pública para medir intenções de voto, aprovação de candidatos ou avaliação de governos, baseando-se em amostras representativas da população eleitora. No Brasil, elas devem ser registradas no TSE antes da divulgação, com detalhes sobre metodologia, margem de erro e período de coleta, garantindo transparência conforme a lei eleitoral.
Os institutos definem o universo (ex.: eleitores aptos em um estado ou país) e selecionam uma amostra aleatória estratificada por critérios como idade, gênero, renda, região e escolaridade, geralmente entre 1.500 e 3.000 entrevistados para margem de erro de 2-3 pontos percentuais a 95% de confiança. Entrevistas ocorrem por telefone (fixo ou celular aleatório), face a face (domiciliar ou em pontos de fluxo como ruas movimentadas) ou online, com questionários padronizados incluindo cenários espontâneos (eleitor cita nomes livremente) e estimulados (lista de candidatos fornecida).
Incluem intenção de voto em 1º e 2º turnos, rejeição, opiniões sobre propostas e dados demográficos para ponderação estatística, corrigindo desvios da amostra real pelo censo ou urnas anteriores. Resultados são ajustados por estatísticos, excluindo brancos, nulos e indecisos em alguns cálculos, e divulgados com gráficos de cenários variados para captar tendências eleitorais.
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