
A entrada de uma nova onda de calor de “grande perigo” irá mexer os termômetros no Sul do país nesta semana. O fenômeno, que já motivou a emissão de um alerta vermelho pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve se estender até o fim de semana e atingir mais de 500 municípios. Abaixo, reunimos as principais perguntas e respostas para explicar o fenômeno, seus impactos e o que esperar nos próximos dias.
O que está causando a onda de calor?
Conforme a definição da Organização Meteorológica Mundial, uma onda de calor ocorre quando as temperaturas ficam 5 °C ou mais acima da média por pelo menos cinco dias consecutivos, condição que será cumprida ao longo desta semana.
Entenda o que é a bolha de calor que atinge o país
AFP/ MetSul/ Reprodução
A meteorologista Estael Sias, da MetSul, explica que o fenômeno é resultado da atuação persistente de uma massa de ar quente e seco, associada a um sistema de alta pressão que inibe a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas. Esse bloqueio atmosférico favorece a manutenção do calor intenso por vários dias consecutivos.
Esses episódios têm se tornado mais frequentes e intensos devido ao aquecimento global, com agravamento nas áreas urbanas por causa do efeito de ilha de calor. Em 2026, este é o segundo caso. Em janeiro, o fenômeno atingiu os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, entre os dias 12 e 14.
Quando começou e quanto tempo deve durar?
O fenômeno tem início oficial nesta terça-feira (3) e deve permanecer até sábado (7). O pico do calor está previsto para ocorrer entre sexta-feira (6) e sábado (7), quando as temperaturas mais elevadas devem ser registradas em grande parte da região Sul.
A mudança no tempo começa a ser sentida a partir do domingo (8). O avanço de uma massa de ar frio, aliado ao aumento da nebulosidade e à ocorrência de chuvas fracas, deve provocar queda nas temperaturas e trazer alívio para o calor intenso que marca a semana na região Sul.
Quais regiões serão mais afetadas?
Segunda onda de calor do ano atinge o Sul do país
Inmet
O Rio Grande do Sul será o Estado mais impactado, especialmente o Oeste, o Sudoeste e as áreas próximas às fronteiras com o Uruguai e a Argentina. O alerta vermelho do Inmet também abrange amplas áreas de Santa Catarina e do Paraná, incluindo as regiões Serrana, Oeste e Norte Catarinense, além do Sudoeste, Centro-Sul e Sudeste Paranaense.
Levantamentos da MetSul Meteorologia mostram que as temperaturas já começaram a se intensificar nesta segunda-feira (2/2), quando cidades do Oeste gaúcho registraram máximas acima de 36°C, como São Paulo das Missões (37,2 °C), Maçambará (37,0 °C) e Uruguaiana (36,3°C). Na Grande Porto Alegre, as temperaturas ficaram próximas ou acima dos 32°C, com tendência de elevação gradual ao longo da semana. Na região metropolitana, as máximas devem chegar a 36°C a 38°C na sexta-feira, quando o calor será mais severo.
Previsão para sábado mostra alta probabilidade de temperaturas máximas incomuns, especialmente no RS
Extreme Forecast Index (EFI)
De acordo com o meteorologista Matheus Manente, nesta quarta-feira (4) os termômetros podem se aproximar dos 40 °C no Rio Grande do Sul, avançando para valores ainda mais extremos nos dias seguintes. Na sexta-feira (6), algumas cidades gaúchas podem registrar até 44 °C.
Santa Catarina e Paraná também enfrentarão calor intenso, embora em patamares ligeiramente menores. Em diversas cidades desses Estados, as máximas devem variar entre 39 °C e 40 °C, sobretudo no Oeste catarinense e no interior paranaense. Ainda assim, os valores são considerados muito elevados para a época do ano e suficientes para causar impactos significativos.
Há riscos à saúde?
Segundo o Ministério da Saúde, as ondas de calor representam riscos importantes à saúde de toda a população, com impacto ainda maior sobre grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais ou diabetes, além da população em situação de rua. A exposição prolongada a temperaturas extremas pode provocar desde desconfortos leves até quadros graves, com risco de morte.
De acordo com o órgão, um dos principais efeitos do calor excessivo é a desidratação, causada pela perda intensa de líquidos e eletrólitos. Quando não tratada adequadamente, a desidratação pode evoluir para complicações mais severas. Outro risco é a insolação e o chamado golpe de calor, uma emergência médica que ocorre quando o organismo perde a capacidade de regular a própria temperatura. Nesses casos, podem surgir sintomas como confusão mental, convulsões e perda de consciência.
O alerta é de que o calor intenso também pode agravar doenças crônicas. Pessoas com problemas cardíacos e respiratórios estão entre as mais afetadas, já que o esforço do corpo para manter a temperatura corporal adequada pode sobrecarregar o coração e os pulmões. Além disso, a exposição prolongada ao calor extremo pode contribuir para o agravamento de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, e aumentar a irritabilidade e o risco de comportamentos agressivos.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomenda uma série de cuidados durante períodos de calor intenso. Veja quais são elas:
Evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação solar é mais intensa, reduzindo o risco de insolação e de câncer de pele;
Usar roupas leves, de cores claras e que não fiquem apertadas ao corpo, facilitando a transpiração e a troca de calor;
Aplicar protetor solar com fator de proteção (FPS) 30 ou superior, reaplicando ao longo do dia para evitar queimaduras na pele;
Beber líquidos com frequência, mesmo sem sentir sede, dando preferência à água, água de coco e sucos naturais;
Redobrar a atenção com o consumo de bebidas alcoólicas, que em excesso contribuem para a desidratação e podem agravar os efeitos do calor sobre o organismo.






