A primeira semana de janeiro está sendo marcada por uma mudança brusca no padrão climático, especialmente no Sul do país. Depois de um réveillon com calor típico de verão e temperaturas elevadas, os termômetros viraram de forma rápida, com frio incomum para a época.
A explicação para essa sequência de extremos está na dinâmica atmosférica dos primeiros dias do ano. Conforme o boletim da MetSul, uma forte massa de ar frio, rara para janeiro, avançou pelo Cone Sul logo já no dia dois. Este sistema se formou na região da Patagônia e ganhou força ao ser impulsionado por um ciclone extratropical no Atlântico Sul, que não chegou ao Brasil, mas foi decisivo para empurrar o ar frio em direção à Argentina e ao Sul do país.
“Depois daquele período marcado pela redução de chuva e pela elevação da temperatura, com recordes de calor no Sudeste do Brasil, foi necessária a atuação de um sistema mais potente. Para quebrar aquela condição de muito calor e pouca chuva, era preciso algo mais forte para conseguir avançar pelo Brasil. E foi exatamente isso que aconteceu com a chegada dessa frente fria”, esclarece Desirée Brandt, metereologista da Nottus.
As temperaturas, que chegaram a atingir máximas superiores a 35 °C em algumas áreas do Rio Grande do Sul, atingiu a marcas próximas de 0 °C no dia quatro, uma “incursão de ar frio excepcional para esta época do ano”, na opinião de Estael Sias, metereologista da MetSul.
Nesta terça-feira (6), o tempo ainda é firme na maior parte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com céu claro ou poucas nuvens. Entre a tarde e a noite, porém, não se descarta chuva muito isolada, típica de verão, sobretudo no Norte gaúcho.
A partir de quarta-feira (7), o padrão atmosférico muda novamente. O boletim da MetSul mostra que, com o enfraquecimento da alta pressão e a volta do ar tropical quente e úmido, o Sul do país entra em um período de instabilidade que deve se estender até o domingo (11). “Teremos vários dias com chance de chuva e alguns temporais isolados”, alerta Estael.
A instabilidade continua na quinta (8), com maior nebulosidade e pancadas que podem ocorrer desde a manhã em alguns pontos, embora os episódios mais intensos sigam concentrados da tarde para a noite. Na sexta-feira (9), uma área de baixa pressão que se desloca pelo Nordeste da Argentina volta a favorecer chuva em diversas regiões do Rio Grande do Sul, ainda que de forma irregular.
No fim de semana, o cenário segue típico de verão instável. No sábado (10), a formação de um ciclone no Uruguai aumenta a nebulosidade e mantém o risco de chuva forte isolada e temporais pontuais, além de vento moderado. “Os modelos não indicam, por enquanto, rajadas muito intensas associadas a esse sistema”, ressalta a MetSul. No domingo (11), a chuva ocorre principalmente no começo do dia em áreas como a Região Metropolitana, Serra e Litoral Norte, com aberturas de sol ao longo do período.
Os volumes de chuva devem ser bastante irregulares. Em muitas cidades do Sul, os acumulados podem ficar entre 30 e 50 milímetros, mas pontos isolados podem registrar entre 50 e 100 milímetros, com risco muito localizado de volumes ainda mais elevados.
Em Santa Catarina e no Paraná, a tendência é semelhante, com pancadas de verão quase diárias e temporais isolados, especialmente da tarde para a noite. No litoral catarinense, a previsão é de sol e calor durante boa parte do dia, com chuva passageira no fim da tarde, sem impacto prolongado para quem está na praia.
No Sudeste, a virada no tempo também chamou atenção, especialmente em São Paulo, onde o início da semana teve características pouco comuns para o auge do verão. Segundo a Climatempo, a capital paulista registrou amanhecer mais frio na segunda-feira, com mínimas em torno de 16,2 °C na Zona Sul da Região Metropolitana e 17,2 °C no Mirante de Santana, na Zona Norte.
Esse padrão mais ameno, provocado pela atuação de ventos frios e úmidos do oceano, associados a uma massa de ar frio que passou pela costa nos últimos dias, já tem data para terminar. Nesta terça (6), os ventos já começaram a perder as forças e os termômetros registram temperaturas maiores.
“Com o enfraquecimento dos ventos frios e o aumento das aberturas de sol, a temperatura volta a subir com mais facilidade. Além disso, os ventos passam a soprar do quadrante norte e noroeste, trazendo ar mais quente para o Sudeste, especialmente para o estado de São Paulo”, explica Desirée.
A circulação de ar mais quente e úmido se intensifica, conforme o boletim, deve elevar as máximas para perto dos 30 °C e reforçar a instabilidade. Entre quarta e quinta, as pancadas podem ser isoladas, mas localmente fortes, e na sexta-feira o calor pode chegar a 31 °C, com risco maior de temporais.
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Ainda assim, apesar da elevação da temperatura, não há expectativa de um período tão prolongado e intenso de calor como o registrado entre os dias 19 e 26 de dezembro. “A temperatura sobe, sim, mas em um cenário menos extremo”, ressalta a metereologista da Nottus.
Apesar das tardes mais quentes, as madrugadas e manhãs tendem a seguir relativamente amenas, com mínimas subindo gradualmente para a casa dos 19 °C. No interior paulista, o refresco foi sentido no começo da semana, mas o calor segue mais persistente, enquanto no litoral o tempo continua instável após um fim de semana chuvoso, com nebulosidade frequente e chuva ocasional ajudando a conter a elevação das temperaturas.
No Norte do Brasil, o padrão de verão segue bem característico, com calor elevado e alta umidade, favorecendo a formação de pancadas de chuva típicas da estação, graças a atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), sistema comum no verão que influencia de forma significativa o regime de chuvas e a distribuição das temperaturas na região.
A combinação entre o forte aquecimento durante o dia e a grande disponibilidade de umidade mantém a atmosfera instável, segundo a Climatempo, especialmente no período da tarde e da noite. Estados como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Amapá seguem com risco de chuva frequente, que pode ocorrer em forma de pancadas intensas e acompanhadas de trovoadas, mas de maneira irregular.
As temperaturas continuam altas, com máximas acima dos 32 °C em várias áreas, e a sensação de abafamento persiste. Em alguns momentos, a chuva ajuda a aliviar temporariamente o calor, mas logo após o sol volta a aparecer.