O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (7/1) um conjunto de novas diretrizes alimentares para os cidadãos americanos, válidas até 2030, que incentivam o consumo de “comida de verdade”. A ideia, segundo o governo, é aumentar a demanda por proteínas e alimentos naturais, em detrimento dos ultraprocessados, o que pode beneficiar as vendas de carne bovina brasileira aos EUA.
Nova diretriz dos EUA favorece embarques do Brasil
Frigoríficos buscam saídas para cota da China para carne
O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina ao mercado americano, que passa por forte restrição na oferta de gado. Esse quadro, somado ao anúncio das novas diretrizes alimentares, pode abrir mais espaço para gigantes como a JBS e a MBRF, dona da americana National Beef.
“As famílias americanas devem priorizar alimentos integrais e ricos em nutrientes — proteínas, laticínios, vegetais, frutas, gorduras saudáveis e grãos integrais — e reduzir drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados”, disse o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr, em comunicado sobre as novas diretrizes. “Nosso governo declara guerra ao açúcar adicionado”, enfatizou. A orientação é de que o consumo de proteínas animais ocorra em todas as refeições.
Conforme apurou o Valor, a avaliação inicial dos frigoríficos brasileiros é de que a medida vai, de fato, estimular o consumo de carne nos EUA. Isso deve impulsionar as exportações brasileiras, que já foram recorde em 2025.
Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, observou que ainda não é possível precisar o impacto efetivo das diretrizes para os exportadores brasileiros, mas, segundo ela, “certamente é um marketing positivo para reforçar o consumo” de carne.
“Os EUA estão na menor relação entre produção [de gado] e consumo no mercado interno desde 2005, então eles precisam continuar originando [carne] fora. E o Brasil entra como um importante parceiro”, explicou a especialista.
Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, as novas diretrizes ajudaram a impulsionar as ações da JBS NV na bolsa de Nova York. Os papéis do frigorífico encerraram o pregão de quinta-feira em alta de 1,25%.
“A tendência é que os americanos priorizem proteínas”, disse Cruz. Ele acredita que outro fator que tem ajudado a elevar a demanda — e, consequentemente, as vendas das empresas do segmento de proteínas animais — é a popularização das dietas e remédios para emagrecimento.
De acordo com o Departamento de Saúde dos Estados Unidos, o país enfrenta uma crise, o que justifica os esforços para incentivar a alimentação natural. Quase 90% dos gastos com saúde são destinados ao tratamento de doenças crônicas, muitas delas relacionadas à alimentação e ao estilo de vida. Mais de 70% dos adultos americanos estão acima do peso ou obesos, e quase um em cada três adolescentes tem pré-diabetes.
Além de representarem um potencial benefício aos exportadores brasileiros, as novas diretrizes também agradaram ao agronegócio americano. “Finalmente estamos realinhando nosso sistema alimentar para apoiar os agricultores, pecuaristas e empresas americanas que cultivam e produzem alimentos de verdade”, afirmou a secretária do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), Brooke Rollins.
Zippy Duvall, presidente da federação agropecuária American Farm Bureau, ressaltou que as medidas ratificam a importância dos produtores rurais.