A Massari Fértil, especializada na produção de fertilizantes naturais e detentora de uma mina de calcário em Salto de Pirapora (SP), acertou a fusão com a Morro Verde, empresa controlada pela Ore Investments e que produz fosfato e outros produtos em Pratápolis (MG). As empresas concluíram a união na noite de quinta-feira (30/1).
A fusão ocorrerá por meio de troca de ações entre as empresas, sem aporte financeiro, e dá à Massari o controle da nova companhia. Com o acerto, a Massari quer ampliar sua exposição a um mercado com potencial superior a R$ 50 bilhões.
“Ambas as empresas têm capacidade produtiva e de comercialização. A grande sinergia virá do desenvolvimento de novos produtos”, afirmou o diretor-presidente (CEO) e fundador da Massari Fértil, Sérgio Ailton Saurin, em entrevista exclusiva à reportagem de Valor/Globo Rural. O executivo assumirá a cadeira de CEO da nova companhia.
George Fernandes, CEO da Morro Verde, acrescentou: “A ideia é consolidar a empresa como maior empresa de fertilizante natural misto do Brasil”.
Ao longo da década passada, a Massari consolidou-se como desenvolvedora de formulações a partir das matérias-primas de suas minas, boa parte delas “taylor made”, customizadas para os clientes – hoje, a empresa tem cerca de 500 produtos.
Já a Morro Verde, que tem um portfólio bem mais enxuto, de cerca de 20 itens “de prateleira”, vinha concentrando seus esforços no aumento da capacidade de sua mina de fosfato.
Sérgio Saurin, CEO da Massari: “A grande sinergia virá do desenvolvimento de novos produtos”
Divulgação
As duas empresas também veem suas diferenças geográficas como vetores de sinergias. Além de suprir clientes do Estado de São Paulo com a planta em Salto de Pirapora, a Massari chega ao Centro-Oeste e ao “Matopiba” (região que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) por meio de unidades industriais em Bodoquena (MS) e Formoso do Araguaia (TO), viabilizadas por joint-ventures.
A Morro Verde, por sua vez, concentrava sua produção em três plantas em Pratápolis e as vendas em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Capacidade produtiva
O nome da nova companhia ainda será definido. Entre seus planos estão ampliar o portfólio de produtos, inclusive os formulados a partir do fosfato que a Morro Verde produz, além de expandir a capacidade produtiva e a equipe comercial.
A capacidade produtiva atual, próxima de 3 milhões de toneladas, deve chegar a 5 milhões de toneladas em três anos. O acréscimo deverá resultar de novas joint-ventures, que estão em estágio avançado de negociação. As tratativas têm como alvo produção em Mato Grosso, Goiás e Paraná – e, dessas negociações, ao menos duas devem se concretizar em 2026, informou Saurin.
A empresa considera outra joint-venture, nos próximos três anos, em alguma localidade entre Goiás e Tocantins, que reforce sua presença na região. “Há abundância de reservas no Brasil. O que falta é capacidade de desenvolvimento e aproveitamento desses minerais”, afirmou Saurin.
Para dar sustentação a esse crescimento, a equipe de vendas também deve aumentar, segundo ele. O plano é fazer o time crescer 30%. Hoje, a equipe tem mais de 30 representantes comerciais no país, dez desenvolvedores de mercado e cinco cooperativas com as quais a empresa mantém relação próxima.
Mercado
Com as iniciativas em frentes diversas, a nova companhia espera atingir 51% de participação no segmento de fertilizantes minerais mistos naturais. Hoje, a Morro Verde detém ao redor de 35% do mercado de fosfatados naturais e a Massari é líder em fertilizantes minerais mistos, segundo os executivos.
“Com a fusão, conseguiremos capturar a geração de valor de sermos super eficientes na lavra, e nosso sócio (Massari), super eficiente em criar soluções verticalizadas e distribuir para o Brasil inteiro”, disse Mauro Barros, CEO da Ore Investments, acionista controlador da Morro Verde.
Fundada por Saurin, executivo com passagens por Itaú BBA e Credit Suisse e longa trajetória em finanças corporativas, operações de fusão e aquisição e aberturas de capital, a Massari especializou-se em fertilizantes minerais mistos. Com uma ampla base de análises de solo, a empresa tem cerca de 500 produtos feitos à base de micro e macronutrientes.
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Em 2025, a Massari produziu 1,5 milhão de toneladas, que geraram receita superior a R$ 300 milhões. “A Massari é quase uma farmácia de manipulação”, comentou Saurin.
Com perfil distinto, a mineira Morro Verde tem reservas de cálcio, magnésio, calcário e, sobretudo, fosfato natural reativo (FNR) – um tipo de rocha que não precisa passar por processos químicos para aumentar sua solubilidade, diferentemente de outros tipos de fosfato.
A decisão da gestora Ore de comprar a Morro Verde, em 2023, tornou possível à companhia ampliar sua capacidade produtiva, que era, na época, era de 300 mil toneladas. Hoje, a capacidade é de cerca de 1,5 milhão de toneladas, mas as reservas da mina excedem esse volume com folga.
Segundo Fernandes, a reserva de fosfato é a maior do Brasil entre as que não estão nas mãos de multinacionais. A reserva tem, no mínimo, 60 milhões de toneladas de fosfato e 40 milhões de toneladas de calcário, que devem ser exploradas ao longo dos próximos 60 anos.