
Moradores e frequentadores da orla de Fortaleza voltaram a relatar a presença de manchas escuras no mar, especialmente nas proximidades do espigão da Avenida Rui Barbosa, na Praia de Iracema. Além da coloração alterada da água, um forte odor foi percebido por quem caminhava pelo calçadão, reacendendo a preocupação com a qualidade ambiental da região. Imagens registraram ainda a presença de peixes mortos no local.
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O problema, no entanto, não é novo. Em anos anteriores, fiscalizações identificaram mais de 200 imóveis com ligações clandestinas de esgoto em galerias de drenagem que deveriam receber apenas água da chuva. As manchas escuras costumam surgir durante o período chuvoso e já foram registradas em diferentes pontos do litoral da capital, da Barra do Ceará à Sabiaguaba.
Especialistas apontam que a principal causa é o uso irregular da rede de drenagem pluvial por hotéis, residências e restaurantes que, mesmo tendo acesso à rede de esgoto, optam por ligações clandestinas para evitar o pagamento da taxa de esgotamento sanitário. A prática faz com que esgoto seja despejado diretamente nas galerias de águas pluviais, que deságuam no mar.
“As manchas escuras que aparecem no mar de Fortaleza durante a época de chuva, não só na Praia de Iracema, na Beira-Mar ou no Mucuripe, mas desde e Barra do Ceará até a Sabiaguaba, são ocasionadas principalmente por ligações clandestinas de esgoto em redes de água de chuva, ou seja, hotéis, residências, restaurantes que tendo acesso à rede de esgoto decidem se ligar clandestinamente na rede de chuva para não pagar a taxa de esgoto”, afirma André Comaru, do Coletivo Nossa Iracema.
Em nota a Prefeitura de Fortaleza informou que, após a reunião realizada com representantes do Governo do Estado, está em andamento um levantamento técnico conjunto para identificar os pontos de lançamento irregular de efluentes nas galerias pluviais e definir as medidas necessárias para enfrentamento da situação na orla da capital. “O diagnóstico contempla análise das redes de drenagem, possíveis ligações indevidas e outras interferências que possam impactar a balneabilidade das praias, especialmente no período chuvoso, quando há maior arraste de resíduos para o mar. As medidas decorrentes desse levantamento, bem como o planejamento e o cronograma de execução, serão anunciados nos próximos dias”, concluiu.
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Riscos à saúde e impactos ambientais
Especialistas alertam que o contato com a água possivelmente contaminada pode causar viroses, doenças respiratórias e problemas de pele. A orientação é evitar o banho de mar em trechos onde a água esteja escura ou com odor forte, até que a situação seja esclarecida.
Além dos riscos à saúde pública, a poluição afeta diretamente a vida marinha — incluindo espécies como boto-cinza, tartarugas, peixes e arraias — e compromete atividades econômicas como o turismo, a pesca e os esportes aquáticos. Comunidades pesqueiras, marisqueiras e ribeirinhas também sofrem os impactos da degradação ambiental.
Enquanto as investigações continuam, moradores cobram medidas mais rigorosas para coibir ligações clandestinas e garantir a qualidade das águas da capital cearense. O caso reforça a necessidade de fiscalização permanente e de conscientização sobre os prejuízos ambientais, econômicos e sociais causados pelo despejo irregular de esgoto no mar.
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