
A 3tentos, que opera na comercialização de grãos e insumos agrícolas, processamento de grãos e produção de biocombustíveis, registrou em 2025 um lucro líquido de R$ 808,7 milhões, alta de 6,9% em relação a 2024 e recorde histórico.
O resultado reflete um aumento de 28,1% da receita operacional líquida, que alcançou R$ 16,4 bilhões no ano passado, bem como crescimentos nos lucros das divisões de insumos e de grãos.
No segmento de insumos, a receita líquida cresceu 20,9% no ano passado, para R$ 3,4 bilhões, enquanto o lucro bruto da divisão aumentou em proporção maior, em 35,2%, para R$ 687,1 milhões. A margem bruta, consequentemente, cresceu, de 18% em 2024 para 20,2% no ano passado.
Segundo o CEO e fundador da 3tentos, João Marcelo Dumoncel, o resultado positivo — que diverge do de outras grandes redes de distribuição de insumos agrícolas, como AgroGalaxy e Lavoro, em dificuldades financeiras – é reflexo de uma soma de fatores, incluindo o fato de a companhia poder vender insumos agrícolas em operações de barter (troca de grão pelo insumo) cujos grãos serão utilizados por suas próprias indústrias.
Isso, diz o CEO, dá à empresa maior competitividade, inclusive logística, para remunerar o grão e vender pacotes de insumos com produtos de maior margem de lucro, como biológicos, por exemplo. “Nós conseguimos entregar soluções completas, com sementes, proteção de cultivos, fertilizantes, biológicos, nutrição foliar, que ajudam na margem”, explicou.
O segmento de grãos também teve bom desempenho, com receita e lucro bruto crescendo praticamente na mesma proporção, 60,7% e 59,7%, respectivamente. A receita líquida com a venda de grãos, ao fim de 2025, atingiu R$ 5,2 bilhões, enquanto o lucro bruto chegou a R$ 548,3 milhões.
O crescimento dos segmentos de grãos e de insumos também reflete a ampliação da presença da 3tentos no país. No ano passado, a empresa abriu três lojas, em São Vicente do Sul (RS), Água Boa (MT) e Canarana (MT), chegando a um total de 73 lojas, sendo 59 no Rio Grande do Sul e 14 no Mato Grosso.
Investimento
Em 2025, a companhia fez seu maior investimento (Capex) anual, R$ 1,7 bilhão, direcionado não só à abertura de lojas como também à expansão da capacidade de processamento de soja e produção de biodiesel.
Com as ampliações das plantas processadoras de soja de Cruz Alta (RS) e de Vera (MT) e da unidade produtora de biodiesel de Ijuí (RS), quase concluídas, a empresa poderá processar até 10,8 mil toneladas de soja por dia, 64% mais do que antes das obras, e produzir volume de biodiesel até 67% maior, ou 3 mil metros cúbicos por dia no limite da capacidade.
A empresa também anunciou, em dezembro, a instalação de uma segunda indústria de etanol em Redenção (PA), além da entrada em quatro novos Estados — Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais — com previsão de abertura de até dez lojas em 2026.
“A expansão geográfica e industrial que realizamos em 2025 nos posiciona em um novo patamar”, destacou Dumoncel em comunicado.
O segmento da indústria — que abrange resultados das unidades processadoras de soja e milho e de produção de biodiesel e etanol — contribuiu com a maior parcela da receita líquida, R$ 7,8 bilhões, avanço de 15,3% em comparação a 2024. Já o lucro bruto da área ficou praticamente estagnado (-0,2%), em R$ 1,3 bilhão, o que levou a uma redução da margem bruta de 19,5% para 16,8% entre 2024 e 2025.
Segundo o CEO, o menor lucro no segmento se deve principalmente aos prêmios mais altos pagos por importadores chineses pela soja brasileira, que elevaram os preços do grão comprado para processamento, sem a mesma contrapartida nos prêmios pagos pelo óleo de soja e pelo biodiesel.
“Trabalhamos com prêmios muito altos no ano passado, principalmente para a soja, por causa da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Neste ano, a China voltou a comprar soja americana, então a situação dos prêmios se normalizou um pouco”, disse Dumoncel em entrevista. “Isso é positivo para a empresa, por causa dos custos para a indústria”, acrescentou.
Initial plugin text
A empresa reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 658,4 milhões em 2025, 50,9% menor do que no ano anterior. A 3tentos também declarou Ebitda ajustado com hedge, que inclui o valor líquido de receitas e despesas com derivativos, de R$ 1,024 bilhão, 2,3% superior ao de 2024.
Ao fim de 2025, a dívida líquida da companhia somava R$ 1,6 bilhão, reflexo principalmente dos investimentos feitos no ano. A alavancagem, medida pela dívida líquida em relação ao Ebitda ajustado (incluindo valor líquido de receitas e despesas com derivativos), permaneceu em 1,56 vez, segundo a empresa.
Quarto trimestre
No quarto trimestre, a 3tentos registrou receita operacional líquida de R$ 4,4 bilhões, 13,3% maior do que em igual período de 2024. O lucro líquido contabilizado nos últimos três meses do ano somou R$ 82,4 milhões, 39,4% menor do que um ano antes. O Ebitda atingiu R$ 129,5 milhões, queda de 64,6%. Já o Ebitda ajustado com hedge atingiu R$ 236,7 milhões, 41,2% inferior ao do último intervalo de três meses de 2024.
O segmento que mais cresceu no trimestre foi o de grãos, em 34,1%, para R$ 1,23 bilhão. Os segmentos de insumos e indústria também tiveram incrementos de receita no período, de 7,2% e 6,6%, respectivamente.
Quanto ao lucro bruto, houve crescimento de 26,4% no setor de insumos, para R$ 304,5 milhões no quarto trimestre. O lucro do segmento de grãos aumentou 10,9%, para R$ 131,5 milhões, enquanto o da indústria caiu 40,3%, para R$ 220,1 milhões.






