
A fabricante de equipamentos para armazenagem Kepler Weber terminou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 64,8 milhões, aumento de 28,5% comparado ao mesmo período do ano anterior, conforme balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira (25/2). O desempenho foi impulsionado pela estratégia de recuperação de créditos tributários, que gerou um efeito não recorrente positivo em torno de R$ 11,4 milhões.
No acumulado de 2025, o lucro líquido atingiu R$ 156,3 milhões, recuo de 21,5%, diante do cenário de cautela que os produtores rurais têm adotado na hora de investir. “Vemos uma retração em nosso segmento de Fazendas e o agricultor com margens apertadas”, afirma o CEO da Kepler, Bernardo Nogueira.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) alcançou R$ 67,5 milhões no quarto trimestre do ano passado, redução de 17,7% na variação anual. A margem Ebitda, porém, foi de 16,9%, queda de 0,9 ponto percentual no período.
Para o acumulado do ano, o Ebitda foi de R$ 231,9 milhões, diminuição de 29,4% em relação ao desempenho de 2024, enquanto a margem recuou 4,8 pontos percentuais, para 15,6%.
Renato Arroyo, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, ressalta que a conjuntura do mercado tem sido desafiadora, uma vez que há compressão nos preços das commodities, juros em um patamar ainda elevado e escassez de crédito como um todo.
“Isso penaliza as margens de vendas, por isso focamos em eficiência com gastos e melhorias com recomposição tributária. O lucro que tivemos foi um ótimo resultado, em face dos desafios do período”, avalia o executivo de finanças.
A receita operacional líquida somou R$ 398,7 milhões no quarto trimestre de 2025, montante 13,3% menor que o registrado um ano antes e, no acumulado do ano, a receita atingiu R$ 1,49 bilhão, queda de 7,3%.
Segmentos
A categoria fazendas é a mais representativa para o faturamento da companhia e apresentou redução de 26,4% na receita do quarto trimestre: R$ 105 milhões.
Para este ano, Nogueira vê um cenário ainda adverso para o segmento, uma vez que não há sinais de grandes mudanças nas condições do mercado, ao menos para os primeiros seis meses de 2026. “Ainda que venha uma queda nas taxas de juros, ela vai se refletir nos nossos negócios somente no ano que vem”, pontua.
Por outro lado, o CEO acredita em um movimento importante vindo das agroindústrias. No quarto trimestre do ano passado, este segmento marcou queda de 32,9% na receita, para R$ 88,4 milhões, mas há projetos contratatos que podem impulsionar o resultado da categoria em 2026.
Em 31 de dezembro de 2025, a carteira contratada da Kepler (backlog financeiro) “apresentou crescimento de um dígito percentual em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado pela evolução da carteira de agroindústrias”, de acordo com o balanço.
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Durante o quarto trimestre, os contratos no segmento de agroindústrias totalizam, aproximadamente, R$151,4 milhões, abrangendo projetos de armazenagem, beneficiamento e transformação de grãos para cerealistas, cooperativas e indústrias nas regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil.
Segundo Nogueira, isso mostra uma mudança na composição do mix da carteira, com redução em torno de 40% no segmento de fazendas, e crescimento de cerca de 55% em agroindústrias, que concentra projetos de maior porte e ciclos de execução mais longos.
“Este segmento está sendo muito puxado por biocombustíveis, etanol de milho, etanol de trigo, pelas esmagadoras de soja e diversificação de produtos, como sorgo. Acredito que 2026 vai ser bastante pautado pela industrialização do agro brasileiro”, estima Nogueira.
Negócios internacionais
Impulsionado por um forte movimento de expansão na Argentina, a categoria de negócios internacionais foi destaque no resultado da Kepler durante o quarto trimestre de 2025, ao crescer 31,4% em receita, para R$ 102,6 milhões.
“A Argentina é o segundo país mais importante para a companhia (na exportação) e, sem dúvida, vai seguir importante em nossos negócios em 2026”, afirma o CEO.
Ele acredita que o país vizinho conta com uma demanda represada e tem potencial para se tornar o principal mercado para as exportações da Kepler, posto que hoje é ocupado pelo Paraguai.
Investimentos e projeções
No acumulado de 2025, a companhia destinou R$71,2 milhões para investimentos (Capex), um aumento de 50,5% frente a 2024, com elevação da participação sobre a receita líquida de 2,9% para 4,8%.
Para 2026, Arroyo acredita que o Capex pode ser um pouco menor, visto que investimentos “importantes para o futuro” já foram realizados no ano passado. Um dos focos é o desenvolvimento de novos produtos, como nas áreas de secagem e otimização de mão de obra.
Olhando para frente, a percepção do diretor é de que, por enquanto, não há novas recuperações tributárias previstas como ocorrer no quarto trimestre de 2025, mas a empresa segue atenta a oportunidades de ganho neste sentido.
Outros pilares considerados relevantes para o crescimento da companhia são o déficit de armazenagem no Brasil, que tem capacidade para atender somente 60% da produção, a industrialização do agronegócio, diversificação de mercados e disciplina financeira.
Sobre a possibilidade de combinação de negócios com a Grain & Protein Technologies (GPT) e sua controlada GSI Brasil, de armazém e silos, Nogueira disse que “não existe cenário negativo, estamos tranquilos”.




