
Um dia depois de se posicionar favoravelmente à combinação de negócios com a americana GPT, a Kepler Weber sofreu um revés que provocou uma perda de valor de mercado de cerca de R$ 240 milhões. O prazo para as assinaturas da oferta expirou sem um acordo entre a GPT e a acionista Trígono Capital, detentora de uma fatia de 15,3% na Kepler, o que colocou fim à transação.
A notícia foi mal recebida pelo mercado e as ações da empresa de armazenagem derreteram na B3, com quedas que chegaram a 20% durante o pregão. Os papéis ON da Kepler Weber terminaram em forte baixa de 13,7%, a R$ 8,31 por ação. Com isso, o valor de mercado caiu de R$ 1,731 bilhão para R$ 1,493 bilhão, segundo levantamento do Valor Data.
A Kepler informou em fato relevante que a assinatura do acordo pela GPT estava condicionada ao cumprimento de duas exigências até às 18 horas de segunda-feira (2/3). A primeira era a aprovação da minuta do acordo pelo conselho de administração da Kepler, o que ocorreu em reunião extraordinária no domingo (1/3).
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A segunda condição era a assinatura de um compromisso que garantiria o voto a favor da transação pela Trígono na Assembleia Geral Extraordinária da Kepler.
“Tendo em vista que a Trígono e a GPT não chegaram a um acordo sobre o compromisso de voto e que este não foi assinado dentro do prazo estipulado pela GPT, a condição prevista (…) para assinatura do acordo pela GPT não foi satisfeita, o que levou a oferta de transação perder sua validade”, disse a Kepler, em fato relevante na manhã de ontem.
Do outro lado, a Trígono informou que, desde o início das discussões, deixou claro que, na qualidade de gestora fiduciária de recursos de terceiros, sujeita à lei nº 6.385/76, à regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e aos regulamentos específicos dos fundos sob sua gestão, não poderia assumir qualquer obrigação antecipada de voto.
Em entrevista ao Valor, Werner Roger, CIO e sócio-fundador da Trígono Capital, afirmou que na sexta-feira (27/2), quando terminou o prazo de exclusividade para a negociação e antes da aprovação feita pelo conselho da Kepler, a GPT foi informada de que não seria possível garantir sua posição na assembleia. “Não posso votar previamente sem saber todas as condições”, disse.
Segundo ele, informações relevantes sobre a transação teriam ficado sem detalhamento, como a documentação de avaliação financeira do negócio. “Não vi um laudo de avaliação da GPT, não tenho nenhum material para analisar se os R$ 11 por ação propostos são a alternativa mais viável”, afirmou.
No fato relevante de ontem, a Kepler disse que contratou assessores financeiros e jurídicos para lhe auxiliar na análise dos aspectos legais e financeiros da transação, e solicitou a avaliação de terceiros sobre as relações de troca oferecidas pela GPT. A companhia não detalhou se os laudos foram concluídos nem como foi a divulgação.
Roger questionou ainda a incerteza sobre o tempo que levaria até a assembleia de acionistas e o formato necessário para aprovação — se pela maioria baseada no quórum ou no capital.






