
A GreenLight Biosciences, multinacional de biotecnologia, submeteu aos órgãos reguladores, no final do ano passado, o registro de um acaricida biológico de amplo espectro à base de RNA (molécula responsável pela síntese de proteínas nas células do organismo). Trata-se do segundo pedido de registro de produto de RNA apresentado pela empresa no Brasil – o primeiro, porém, tinha atuação mais específica.
A submissão contempla o controle de quatro espécies de ácaros, que respondem por cerca de 80% das infestações que afetam culturas como algodão, soja, café, citros, feijão, uvas, morangos e hortaliças. Os ensaios de campo têm demonstrado controle de 70% a 90% por hectare, segundo a empresa, num cenário de crescente resistência aos acaricidas.
A tecnologia de RNA atua silenciosamente dentro da célula da praga, interferindo em funções essenciais para sua sobrevivência, segundo a GreenLight. A empresa ressalta que não se trata de organismo geneticamente modificado (OGM), e que ela tampouco altera o código genético das plantas ou de outros organismos vivos, preservando organismos benéficos como abelhas, aves, peixes e plantas.
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“Um jeito simples de explicar o RNA é: ele tem uma interação dentro da célula da praga em que ele desliga uma determinada função vital dela e faz com que essa praga morra”, explica a diretora de Marketing e Vendas da GreenLight Biosciences para a América Latina, Areadne Zorzetto.
De acordo com ela, o acaricida à base de RNA reúne a eficácia e a facilidade de uso de um produto químico com a qualidade e a sustentabilidade de um produto biológico. “É um produto sustentável, altamente eficaz e extremamente específico no alvo”, complementa. A aplicação se dá por meio de pulverização.
A submissão foi apresentada junto ao Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (ibama). Para um produto considerado biológico, o prazo de registro vai de 18 a 24 meses. A expectativa da empresa é que o trâmite fique abaixo ou dentro desse prazo. “O ambiente regulatório brasileiro tem passado por grandes transformações e cada vez fica melhor”, afirma Areadne.
No caso do algodão, por exemplo, uma infestação de apenas 10% das plantas pelo ácaro-rajado pode resultar em queda de até 20% da produtividade por hectare, segundo dados do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA).
No café, segundo a empresa, as perdas podem alcançar até 20% da produção, agravado pela fisiologia bianual da cultura, já que danos provocados por ácaros em uma safra tendem a comprometer o desempenho produtivo do ciclo seguinte. No caso da soja, não há estimativas oficiais consolidadas.
Em outubro do ano passado, a empresa já havia apresentado o pedido de registro de um fungicida à base de RNA, desenvolvido para controle do oídio, doença fúngica que pode impactar a qualidade e a produtividade das uvas. O pedido ainda está em análise pelos órgãos reguladores.
Segundo o relatório RNAi Pesticides Market Segments Analysis, o mercado global de biopesticidas à base de RNA deve alcançar US$ 4,6 bilhões até 2034.






