
O trigo inicia a sessão da bolsa de Chicago em queda de 1,04% nesta sexta-feira (2/1), com os contratos para março a US$ 5,0175 por bushel.
De acordo com Luiz Pacheco, da TF Consultoria Agroeconômica, os fundos de investimento ainda devem sustentar uma posição vendida relevante no mercado. Esse posicionamento pode gerar movimentos técnicos caso as cotações avancem, à medida que esses agentes busquem recompor posições.
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A Bolsa de Cereais de Buenos Aires revisou para cima a estimativa de produção de trigo da Argentina, agora projetada em 27,8 milhões de toneladas, acima das 27,1 milhões indicadas anteriormente. A colheita no país está 93% concluída, fator que amplia a oferta disponível e contribui para a pressão sobre os preços internacionais.
O movimento de baixa, no entanto, encontra algum limite no cenário geopolítico. O mercado acompanha novos ataques russos ao porto de Odessa, além de uma ofensiva ucraniana contra gasodutos russos, eventos que mantêm a atenção dos operadores sobre possíveis impactos na logística e no fluxo de exportações da região do Mar Negro.
Milho
“O milho para março está atingindo novas mínimas na semana e testando um importante nível de suporte, pressionado pela fraqueza residual do trigo e da soja e pela falta de novas notícias otimistas”, avalia Pacheco. Os papeis recuam 0,51%, a US$ 4,3800 por bushel.
Na América do Sul, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA) informou que o plantio de milho na Argentina alcançou 84,2% da área prevista. As condições das lavouras, no entanto, recuaram quatro pontos percentuais na semana, passando para 82% em condição considerada adequada.
Soja
A soja para março cai 0,41%, cotada a US$ 10,4325 por bushel. Segundo Pacheco, o mercado opera pressionado por clima favorável no Brasil, expectativas de produção elevada na América do Sul e sinais de enfraquecimento da demanda internacional. Esses fatores têm levado os preços a trabalharem próximos das mínimas dos últimos dois meses.
Do lado da demanda, a China segue como um dos principais vetores de pressão. De acordo com a consultoria, o país asiático provavelmente já garantiu cerca de 9 milhões de toneladas dentro de um pacote estimado em 12 milhões de toneladas, mas o mercado questiona se Pequim continuará comprando após atingir esse volume.
A proximidade do fechamento da janela de exportação dos Estados Unidos, em função do avanço da colheita sul-americana, reduz ainda mais o apetite chinês por soja norte-americana, reforçando o viés baixista em Chicago.
No campo da oferta, o destaque é o Brasil. O renomado consultor americano Michael Cordonnier elevou sua estimativa de produção brasileira em 1 milhão de toneladas, para 178 milhões de toneladas, acima da projeção oficial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 175 milhões.





