
A frota de aviões agrícolas no Brasil cresceu 5,2% em 2025 e alcançou 2.866 aeronaves, ajudada pelos resultados positivos e as perspectivas do agronegócio do país. Entre 2009 e 2025, o número praticamente dobrou, saltando de 1.498 para 2.866 aeronaves, crescimento acumulado de 91%.
Os dados constam na Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira 2025, elaborada pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) a partir de dados oficiais da Agência Nacional de Aviação (Anac).
De acordo com o documento, 2025 foi o terceiro ano consecutivo de crescimento expressivo, após as altas de 7,21% em 2024 e 3,82% em 2023. O avanço confirma a retomada dos investimentos no setor, após de certa acomodação em 2022, quando o aumento ficou em 0,56%.
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Segundo o autor do estudo, Cláudio Júnior Oliveira Gomes, o movimento recente reflete não apenas expansão da área agrícola, mas também maior profissionalização da operação aérea.
“A frota cresce acompanhando a escala da agricultura e a necessidade de eficiência operacional”, afirmou no documento.
Voo terceirizado
A divisão entre modelos de operação mostra predominância das empresas prestadoras de serviço. Os Serviços Aéreos Especializados (SAE) concentram 1.802 aeronaves, o equivalente a 62,9% da frota.
Apenas em serviços, a aviação agrícola tripulada atende cerca de 131,45 milhões de hectares e movimenta cerca de R$ 7,89 bilhões nos dez Estados com maiores frotas. Já os Trabalhos Aéreos Privados (TPP), com aeronaves próprias de produtores, somam 1.040 unidades, cerca de 36% do total.
Para Gomes, essa configuração indica amadurecimento do setor. “O modelo terceirizado ganha força porque permite escala, especialização e diluição de custos regulatórios e operacionais”, observa. Entre 2024 e 2025, o saldo líquido foi de 94 aeronaves migrando do TPP para o SAE, sinalizando reorganização estrutural.
Estranho no ninho
Em meio à frota convencional de aviões tripulados, surgiu um “estranho no ninho”. A Anac confirmou o primeiro avião agrícola autônomo registrado no ambiente regulado brasileiro.
Trata-se de um Pelican, da Pyka Inc., movido a propulsão elétrica, que aparece como o único modelo com tais características na base de 2025. Embora represente apenas 0,03% da frota total, o registro inaugura uma nova fase tecnológica.
“É um marco simbólico. A presença do autônomo não altera a estrutura atual, mas aponta para uma transição gradual”, destaca o autor no relatório.
Pelican é o primeiro avião agrícola autônomo registrado no Brasil
Divulgação
Contraste
Se o avião autônomo indica modernidade, por outro lado, a idade média da frota é de 22,1 anos. O índice se manteve praticamente estável em relação ao ano passado, quando era de 22 anos. Apesar disso, o levantamento aponta para renovação contínua, especialmente entre aeronaves turboélice (e não a pistão) e modelos mais recentes.
A distribuição por faixas etárias mostra predominância de aeronaves com até dez anos (34%), seguida por modelos com mais de 40 anos (24%) e pela faixa de 11 a 20 anos (22%). As aeronaves entre 21 e 30 anos representam 10%, e aquelas entre 31 e 40 anos, 9% da frota. A aeronave mais antiga em operação data de 1952, enquanto a mais nova é de 2025.
Nacional x importado
Em relação à origem das aeronaves, observa-se divisão no mercado. Modelos nacionais representam 51% da frota (1.456 unidades), enquanto importados somam 49% (1.410). A indústria brasileira mantém leve vantagem, sustentada principalmente pela Embraer.
A Embraer lidera com 1.456 aeronaves, equivalente a 50,8% do total. Em seguida aparece a Air Tractor, com 833 unidades (29,1%), consolidando-se como principal fabricante estrangeira no país.
Para Gomes, “o mercado é maduro e as mudanças ocorrem de forma gradual, sem ruptura brusca”. Na análise por modelos, a Air Tractor assume pela primeira vez a liderança individual com o AT-502B (372 unidades), superando o tradicional EMB-201A (338).
O movimento sinaliza maior presença de aeronaves turboélice, associadas a ganhos de produtividade. A motorização confirma essa tendência. Motores convencionais a pistão ainda predominam, com 69% da frota, mas os turboélice já representam 31% e ampliam participação.
“Há modernização gradual, com maior incorporação de turbinas nas regiões de agricultura extensiva”, aponta o estudo.
Por Estado
Regionalmente, a frota segue concentrada. Mato Grosso lidera com 803 aeronaves, seguido por Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320). Juntos, esses estados concentram 64,4% dos modelos.
Entre os dez Estados com maiores frotas, apenas o Paraná registrou queda (de 3,4%) no número de aviões agrícolas em 2025. De acordo com o autor, a concentração reflete a geografia da produção agrícola brasileira.
“O Centro-Oeste e o Sul continuam sendo o epicentro da aviação agrícola, tanto em frota própria quanto em prestação de serviços”, destaca.
Acidentes
Apesar de mais aeronaves, o número de acidentes voltou a 45 ocorrências em 2025, igual ao de 2022 e abaixo do pico de 56 acidentes observado em 2024.
Quanto às ocorrências mais graves, o setor registrou dez acidentes fatais e 12 mortes no ano passado.
Assim, o número de vítimas fatais voltou ao mesmo nível de 2022, mas cresceu em relação a 2023 e 2024, que haviam registrado 4 e 8 fatalidades, respectivamente.






