
A imposição chinesa de salvaguardas para a importação de carne bovina deve ter maior impacto sobre frigoríficos com maior dependência do mercado brasileiro. Segundo avaliação de bancos e casas de análises divulgadas nesta sexta-feira (2/1), a medida deve pressionar os preços praticados no país e limitar as exportações de empresas com operação concentrada no Brasil.
Em nota, a XP ressalta que a JBS, devido à sua menor exposição ao Brasil, deve ser a menos impactada, seguida pela MBRF. Ambas possuem unidades em países que podem amenizar o efeito da cota imposta ao Brasil.
“A Minerva recentemente aumentou sua dependência do Brasil, então esperamos uma reação negativa dos investidores, embora a retomada das exportações brasileiras para os EUA, somada ao aumento das cotas argentinas, possa ajudar”, afirma a instituição financeira.
Nesta sexta-feira, as ações dos três frigoríficos operam em queda na B3. Às 12h10, a Minerva registrava queda de 6,6%, a R$ 5,38, enquanto a MBRF caía 4,55%, a R$ 19,07. A JBS, por sua vez, registra perda de 3,2%, a R$ 76,60.
A avaliação do estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, é de que as alíquotas anunciadas pela China diferem das tarifas anunciadas pelos EUA no último ano. “Não parece ser algo negociável. É algo pensado de forma estratégica para médio e longo prazo”, afirmou Cruz.
A expectativa, afirma, é que frigoríficos com operações em outros países da América do Sul usem sua diversidade geográfica para seguir atendendo a China, como já fizeram em outras situações. “Também há uma diferença que é a boa relação entre os países. O Governo já disse que vai solicitar que o volume já embarcado não seja contabilizado nas cotas, mas é sim uma notícia ruim”, afirmou.
Novos destinos
Também em nota, o banco BTG Pactual estima que aproximadamente um terço das exportações brasileiras destinadas à China precisará encontrar novos destinos. Isso representa cerca de 5% da produção total de carne bovina do Brasil que terá de ser absorvida por outros países.
O banco destaca que o principal desafio do setor será o de encontrar mercados dispostos a pagar preços semelhantes aos praticados pela China, especialmente para cortes específicos tradicionalmente demandados pelo país asiático.
“Nossa principal preocupação é que a China deixe de ser vista como o principal motor de crescimento do setor, o que pode pesar sobre o perfil de crescimento de longo prazo dos exportadores de carne bovina”, afirma o BTG.
Em nota, a Safras & Mercado destaca o impacto da salvaguarda sobre o volume de gado abatido no Brasil num momento de virada de ciclo pecuário. “Haverá menor incentivo ao confinamento em 2026, em função do maior custo de reposição e da perspectiva de uma exportação mais discreta”, afirma a consultoria.
A previsão da Safras & Mercado é de queda de 8,6% nas exportações de carne bovina em 2026 com retração de 3,6% nos abates, estimados em 39,6 milhões de cabeças.





