
Flores vermelhas se destacam na paisagem, mas nem todos os animais polinizadores enxergam essa cor da mesma maneira. Pesquisa conduzida por cientistas da Monash University, na Austrália, e da Heinrich Heine Universität Düsseldorf, na Alemanha, identificou um mecanismo genético que torna essas flores menos visíveis para as abelhas e mais chamativas para pássaros.
De acordo com os autores, trata-se de um exemplo de “magic trait” (característica mágica), termo usado na biologia evolutiva para descrever uma única alteração genética capaz de gerar múltiplas vantagens adaptativas.
Visões diferentes da mesma cor
A explicação está nas diferenças de visão entre os polinizadores. Os humanos possuem três tipos de receptores de cor, sensíveis ao azul, verde e vermelho.
As abelhas também têm três, mas são sensíveis ao ultravioleta, azul e verde. Já as aves contam com quatro tipos de fotorreceptores, incluindo um que amplia a percepção do vermelho. Assim, uma mesma flor pode ser percebida de forma bastante distinta por cada grupo. A reflexão da luz ultravioleta, invisível para os humanos, é central nesse processo.
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O papel do ultravioleta
Segundo o estudo, tudo gira em torno de um detalhe invisível aos nossos olhos: a luz ultravioleta. O gene identificado controla a quantidade de UV refletida pelas pétalas. Quando essa reflexão diminui, a flor praticamente “desaparece” para as abelhas, que dependem desse tipo de luz para encontrar alimento. Ao mesmo tempo, o vermelho se torna mais intenso para as aves, que enxergam essa cor com maior precisão. Trata-se de uma mudança sutil na aparência, mas com impacto direto sobre quais animais passam a visitar a flor.
Essa alteração influencia a própria reprodução das plantas. Flores polinizadas por aves costumam ser maiores e oferecer mais néctar.
O tamanho das aves facilita o contato com as partes reprodutivas e o transporte do pólen por distâncias maiores. Embora as abelhas também sejam atraídas pelo néctar, nem sempre conseguem transferir o pólen com a mesma eficiência nesse tipo de flor.
O trabalho destaca ainda que nem todas as flores vermelhas reduzem a reflexão de ultravioleta. Algumas continuam refletindo UV e, por isso, seguem sendo visitadas por abelhas. Já nas espécies adaptadas à polinização por aves, a diminuição desse sinal parece ter sido favorecida ao longo da evolução como estratégia para direcionar o polinizador mais eficiente.






