O mês de fevereiro começa sob a influência de um ciclone extratropical que atuou nos últimos dias e, embora já esteja em processo de afastamento para o oceano, ainda provoca reflexos no clima, segundo informações do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet).
O sistema se originou a partir de uma área de baixa pressão que avançou do Paraguai em direção ao Sudeste e, mesmo já em mar aberto, deve manter a instabilidade no Centro-Sul do país. Em algumas regiões, os volumes de chuva permanecem elevados, o que prolonga o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, sobretudo em áreas urbanas e de relevo acentuado.
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Apesar desse cenário inicial mais instável, a tendência para fevereiro é de tempo mais seco do que a média histórica em grande parte do Brasil. Segundo o meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, regiões do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem registrar volumes de chuva abaixo do normal ao longo do mês.
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Apenas em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, na região Sul, e na parte oeste do Norte, incluindo Amazonas, Acre e Roraima, os episódios de chuva serão mais frequentes e acima da média.
As temperaturas continuarão bem características do verão, ou seja, com máximas elevadas. O Inmet prevê calor acima da média no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde a média pode ficar entre 0,6 °C e 1°C acima.
Neste período, o Instituto ainda alerta para possíveis episódios de ondas de calor, fenômeno caracterizado quando as temperaturas máximas estão 5°C ou mais acima da média mensal por, no mínimo, cinco dias consecutivos, segundo definição da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Sinal amarelo
A previsão de chuva abaixo da média é preocupante, alerta o especialista ouvido pela Globo Rural, tanto para a agricultura quanto para o abastecimento em áreas urbanas.
“Vale salientar que estamos falando em chuva abaixo da média desde o início da primavera. E isso deve cobrar um preço ao longo de 2026. Se para o agro a irregularidade trouxe, até o momento, problemas pontuais, do ponto de vista do abastecimento de água para a população e da geração de energia são esperadas dificuldades maiores no inverno e na primavera pelo baixo nível dos reservatórios”.
Na região Norte, a preocupação está voltada para o nível do Rio Acre. Já há impactos, especialmente, nas áreas de várzea que concentram a produção de subsistência e pequenas criações.
Como será o clima em cada região?
SUL
Chuva: a previsão indica aumento dos volumes de chuva a partir da segunda semana do mês. Até lá, Rio Grande do Sul e Santa Catarina seguem com estiagem, o que compromete o desenvolvimento do milho e da soja.
Temperatura: a região deve registrar picos de calor intenso, com destaque para o norte do Paraná.
SUDESTE
Chuva: apesar da previsão de chuva fraca em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, os prejuízos no campo tendem a ser amenizados pelos volumes elevados registrados em janeiro, que mantiveram o solo úmido.
Temperatura: o calor deve ficar muito acima da média, e a combinação com o tempo mais seco favorece a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho.
CENTRO-OESTE
Chuva: a região deve registrar precipitação abaixo da média, conforme Celso Filho, embora o tempo ainda nublado e úmido possa atrapalhar a colheita da soja e a instalação da segunda safra de milho em Mato Grosso.
Temperatura: a expectativa é de calor intenso em áreas de Goiás e Mato Grosso do Sul. A média mensal pode ficar até 1ºC acima, com valores entre 27°C e 30°C.
NORTE
Chuva: Roraima, Amazonas e Acre devem registrar volumes de chuva acima da média, enquanto o contrário ocorre no Amapá, Pará, Tocantins e Rondônia.
Temperatura: o calor será mais intenso nos Estados próximos ao Nordeste, como Amapá, Tocantins e Pará, com médias variando entre 27°C e 32°C.
NORDESTE
Chuva: a previsão indica chuva abaixo da média, condição que, diante do déficit hídrico, exigirá monitoramento das lavouras de milho e soja na Bahia, no Piauí e no Maranhão.
Temperatura: o calor intenso deve predominar no mês de fevereiro, principalmente, no Maranhão.