
No litoral leste da Espanha, em Palmera, uma região historicamente ligada à citricultura, uma fazenda vem chamando a atenção por seguir um caminho diferente dos pomares padronizados. Ali, centenas de frutas cítricas que raramente chegam ao mercado formam uma das maiores coleções do mundo dedicadas à diversidade de citros.
O projeto é uma iniciativa da Fundación Todolí Citrus, organização sem fins lucrativos que transformou uma antiga área agrícola da costa mediterrânea valenciana em um espaço voltado à conservação e à pesquisa. A coleção reúne cerca de 500 variedades cultivadas diretamente no solo.
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De acordo com o portal The Guardian, o conjunto de pomares passou a ser chamado de “Jardim do Éden” pela diversidade de espécies e pela forma como o cultivo é conduzido. A produção é totalmente orgânica, sem uso de pesticidas ou herbicidas, e adota sistemas de irrigação inspirados em práticas antigas, com canais e reservatórios que ajudam a armazenar água em uma região cada vez mais afetada pela seca.
Além do manejo agrícola, o projeto tem impacto ambiental direto. O retorno de aves, insetos polinizadores e pequenos anfíbios transformou a área em um refúgio de biodiversidade, em contraste com os pomares intensivos que predominam na região.
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Entre as centenas de árvores espalhadas pelo pomar surgem frutas de origens diversas, vindas da Ásia, do Mediterrâneo e das Américas. Há variedades como o finger lime, conhecido como limão-caviar, o sudachi japonês, o calamansi, comum na culinária asiática, além de bergamotas e diferentes tipos de pomelo, com formatos, aromas e usos culinários pouco comuns.
De acordo com o portal da Fundación Todolí Citrus, um dos exemplos observados com mais atenção é a laranja trifoliata. Ao contrário da maioria dos citros, ela perde as folhas durante o inverno.
Essa característica indica maior resistência a baixas temperaturas e ajuda a explicar por que a variedade é acompanhada de perto por pesquisadores que estudam a adaptação da citricultura a cenários de clima extremo.
A coleção inclui ainda dezenas de variedades japonesas e espécies aromáticas usadas como tempero ou ingrediente culinário. Nos últimos anos, parte dessa produção começou a despertar o interesse de restaurantes europeus, que passaram a incorporar essas frutas em pratos e sobremesas.
O movimento ajudou a dar visibilidade ao trabalho da fundação, embora a comercialização siga limitada e não seja o foco do projeto.
O espaço também funciona como base para projetos de pesquisa desenvolvidos em parceria com universidades e centros científicos da Espanha. Os estudos envolvem desde o comportamento agronômico das plantas até formas de cultivo com menor uso de água e redução de insumos químicos.






