As exportações brasileiras de amendoim tiveram um salto expressivo em 2025. No entanto, os números positivos no mercado externo não resultaram em mais margem de lucro aos produtores. Pelo contrário, o setor contabilizou prejuízos no ano passado.
De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), as exportações de amendoim cresceram 37% em volume (para 311 mil toneladas) e 2% no faturamento (com US$ 367 milhões) em 2025.
No entanto, a queda de cerca de 30% nos preços internacionais e a elevação dos custos trouxeram prejuízos, explica Cristiano Fantin, diretor-presidente da Associação de Produtores, Beneficiadores, Exportadores e Industrializadores de Amendoim do Brasil (ABex-BR).
“O preço médio da comercialização ficou 22% abaixo do custo de produção em 2025. Tanto é assim que teremos uma redução de 35% na área plantada na atual safra, cuja colheita começa agora em março”, afirma Fantin.
A explicação para a queda nos preços internacionais em 2025 foi uma superoferta global da leguminosa. “Foi algo histórico. Nos últimos 20 anos, foi a primeira vez que vimos o preço derreter desta maneira”, compara.
Os principais países produtores tiveram grandes colheitas, entre eles China (18 milhões de toneladas), Índia (9 milhões), Estados Unidos (3 milhões), Argentina (1,8 milhão) e Brasil (1,3 milhão, com alta de 50%), além de países africanos como Nigéria e Sudão (4 milhões).
“As supersafras locais e também de exportadores derrubaram os preços de US$ 1,7 mil por tonelada debulhada para US$ 1,2 mil. A Índia, por exemplo, inundou o mercado com volume e qualidade no ano passado”, completa.
De acordo com Fantin, o Brasil não fugiu à regra. O país teve recorde de produção e, se não exportasse mesmo com preço mais baixo, teria um grande volume estocado.
“Nossa estratégia foi atuar no mercado chinês pela primeira vez. Direcionamos 20% das exportações para a China”, informa.
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Cenário externo
A projeção para 2026 é um mercado com preços mais estáveis, já que a oferta deve diminuir em alguns dos principais exportadores. “Pode haver um choque de oferta para gerar certa estabilidade nos preços. Acredito que chegamos ao fundo do poço, apesar de ser complicado afirmar isso”, opina Fantin.
Fantin revela que a Argentina deve reduzir a área de 20% a 25% e os Estados Unidos também. Já na Índia, a qualidade deve ser menor, apesar de o volume esperado ser novamente alto nesta temporada.
Em 2025, as exportações brasileiras de amendoim descascado tiveram como principal destino a Rússia, com 22% de participação, seguida da China com 20% e da Argélia com 12%, respondendo juntos por 54% da quantidade total exportada. Países como Holanda (8%), África do Sul e México (ambos com 6%), Colômbia (4%) e Ucrânia (3%) também são destinos importantes do amendoim descascado que, em 2025, atendeu 86 países.
“O Brasil atende cerca de 60% das importações de amendoim da Rússia. Temos desenvolvido outros países na União Europeia (UE), mas enfrentamos barreiras sanitárias. Em condições normais, somos muito eficientes”, garante.
Segundo o IEA, o mercado de amendoim considera, além das cotações, outras condições como a qualidade, volumes e prazos. Além dos produtores de amendoim, as indústrias de óleo também não tiveram boas margens, mas, ainda assim, a opção foi diminuir o estoque de passagem.
De acordo com o IEA, a cadeia mais que triplicou a exportação de óleo de amendoim em bruto para 154 mil toneladas, contra 51 mil toneladas exportadas em 2024. As remessas de 2025 contabilizaram US$ 236 milhões, em contraponto aos US$ 89 milhões em 2024.
Em 2025, o óleo de amendoim brasileiro foi exportado para 34 países, com a China respondendo por 88% do total das exportações e a Itália, 12%.
Perspectiva interna
A derrocada dos preços impactou o produtor brasileiro de amendoim, que já vinha de um ano complicado. Em 2024, a falta de chuvas quebrou cerca de um terço da safra esperada.
“Em 2024, foi o clima. Já em 2025, o preço. A agricultura é uma indústria a céu aberto e com muitas variáveis internacionais”, comenta Fantin.
Por isso, em busca de competitividade, a cultura, inclusive, está migrando de São Paulo para o Mato Grosso do Sul devido a custos mais baixos para arrendamento de terras. “No Estado de São Paulo, pode chegar a R$ 8 mil por alqueire. Lá no Mato Grosso do Sul, pode ser de menos de R$ 2 mil”, compara.
Para o executivo da Abex-BR, a notícia positiva é que as chuvas nesta temporada foram bem regulares e espera-se aumento de produtividade na casa de 20% a 25%. “Projetamos uma produção total entre 1 milhão e 1,05 milhão de toneladas. O que significa 20% menos que o ano passado, mas em uma área 35% menor”, calcula.