Estudos da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) apontam que uma ampliação da área irrigada de milho, soja, trigo, feijão e fumo, principais culturas cultivadas no Estado, aumentaria o Valor Bruto da Produção (VBP) e a arrecadação gaúcha.
No cenário simulado para 2025, ano marcado por estiagem em lavouras do Rio Grande do Sul, se a área irrigada das cinco culturas tivesse sido ampliada dos atuais 4,7% para 20% do total plantado, o VBP teria crescido 15,42%, segundo a análise da Farsul. Também teria havido incremento de até R$ 3,66 bilhões em tributos pagos, como PIS, Cofins e IPI, bem como reforço de cerca de R$ 3,57 bilhões aos cofres gaúchos, diz a Farsul no comunicado.
O estudo não incluiu arroz por considerar que o sistema irrigado está disseminado nas lavouras da cultura.
“Em termos práticos, a irrigação passaria a ser um instrumento de estabilização fiscal, evitando que o governo sofra quedas bruscas de receita em períodos de estiagem”, afirmou a Farsul na nota.
Em 2026, considerando normalidade das condições climáticas e uma expansão hipotética de 20% da área irrigada das cinco culturas, haveria aumento de 7,5% do VBP, estima a Farsul, com incremento anual da arrecadação federal entre R$ 694 milhões e R$ 1,78 bilhão e aumento do ICMS estadual de até R$ 1,73 bilhão.
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O modelo logarítmico utilizado identificou ainda que cada aumento de 1% no VBP agropecuário geraria um crescimento de 0,64% nos tributos federais e de 0,43% no ICMS. As projeções são consideradas conservadoras, pois não foram contabilizados efeitos indiretos e fiscais da maior circulação de riqueza no comércio, serviços e na cadeia agroindustrial, diz a Farsul no comunicado.
Renegociação de dívidas
Os estudos da Assessoria Econômica da Farsul serviram de base para um projeto de prorrogação de dívidas, a ser apresentado pelo governo do Estado à União. Na segunda-feira passada (9/02), durante lançamento oficial da 26ª Expodireto Cotrijal, que acontecerá de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque (RS), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, disse que levará à União uma proposta para prorrogar por mais três anos o não pagamento de dívidas com a União.
Os recursos, estimados em R$ 15 bilhões, poderiam ser investidos “diretamente em irrigação” e seriam fundamentais para dar respostas ao setor produtivo gaúcho, que vem acumulando perdas decorrentes de longos períodos de estiagem, disse Leite na ocasião.
O governador também comentou, no evento, que sua administração vem avançando na ampliação da irrigação no Estado. Ele citou investimentos em execução de R$ 112,5 milhões voltados a projetos para reserva de água e de R$ 66,5 milhões para irrigação, ampliando em mais de 26 mil hectares a área irrigada, além R$ 58 milhões para enfrentamento da estiagem por meio do Fundo Estadual de Defesa Civil (Fundec) e R$ 180 milhões no Programa Milho 100%, focado no fortalecimento da base produtiva.