
Os preços das commodities agrícolas tiveram comportamentos distintos nas bolsas internacionais em fevereiro. Em Nova York, houve queda generalizada para as chamadas “soft commodities”, com destaque para o cacau. Há um ano, a matéria-prima do chocolate está em declínio devido a um balanço mais folgado entre oferta e demanda. Na bolsa de Chicago, a soja teve a maior alta entre os grãos. Um dos motivos foi a perspectiva de aumento da demanda da China.
Em fevereiro, o cacau recuou 28,4% em Nova York, para uma média mensal de US$ 3.626 a tonelada, considerando os contratos de segunda posição, de acordo com o Valor Data. Há um ano, a cotação estava em US$ 9.940.
Passada a crise de oferta em países do oeste da África — a principal região de produção no mundo — , o momento atual é de ajustes, avalia Antonio Zugaib, professor do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Estadual Santa Cruz (UESC), em Ilhéus (BA).
“Depois que os preços do cacau chegaram a um recorde, de US$ 12 mil a tonelada, o chocolate ficou muito caro, fato que trouxe redução na demanda. Também houve muita substituição do cacau por outros itens no processo de fabricação, portanto, podemos colocar a demanda como ponto central para explicar toda essa movimentação dos preços”, diz o professor.
As previsões favoráveis para a safra no oeste da África e para outros países produtores também explicam a queda dos preços . “O Equador também está aumentando consideravelmente sua produção”, observa Zugaib.
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O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) também registrou forte queda. Em fevereiro, os contratos de segunda posição recuaram 15%, para uma média de US$ 1,7639 por libra-peso. A baixa reflete a ausência de sinais de retomada no consumo da bebida, segundo analistas. Afora isso, o clima favorável para regiões produtoras, como a Flórida, nos EUA, e México, também derruba as cotações.
O clima, até agora positivo para os cafezais do Brasil, também fez o grão se desvalorizar em Nova York em fevereiro. O preço médio chegou a US$ 2,9071 a libra-peso, queda mensal de 14,1%. Sem intercorrências para o desenvolvimento da safra 2026/27 no país, cresce a expectativa de que a produção fique próxima das 70 milhões de sacas, um recorde.
No mercado de açúcar, houve queda de 3,9%, para uma média de 13,81 centavos de dólar por libra-peso. Os contratos estão nos menores níveis em cinco anos, devido às projeções de superávit global para as próximas duas safras. O algodão teve baixa de 2,1%, para 64,43 centavos de dólar por libra-peso, na média.
Bolsa de Chicago
Na bolsa de Chicago, a soja liderou a alta dos grãos em fevereiro, com investidores confiantes no aumento de demanda pelo produto americano. Com isso, os contratos de segunda posição subiram 6,7%, a US$ 11,38 o bushel na média.
A alta do óleo de soja — que subiu quase 12% em fevereiro — ajudou a impulsionar o grão. Segundo Luiz Fernando Pacheco, diretor da T&F Consultoria Agroeconômica, há neste momento um pico de demanda pela soja e seus derivados dentro dos EUA, principalmente para a produção de biocombustíveis.
A expectativa de maior procura por parte da China também puxou a alta. No início de fevereiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os chineses deverão adquirir 20 milhões de toneladas de soja americana em 2025/26.
“A partir do momento em que a China se acertar com Trump, o mercado entende que ela vai demandar mais soja. E de olho nesse potencial, os investidores buscaram proteção, antecipando uma alta ainda maior das cotações na bolsa”, analisa.
No mercado do trigo, a cotação subiu 4,9%, para uma média de US$ 5,5512 o bushel. “Historicamente, fevereiro é um mês de alta para o trigo na bolsa, já que três grandes players, Europa, Rússia e Estados Unidos estão em período de entressafra. Isso pode sustentar as cotações também em março”, diz Pacheco.
Já o milho fechou fevereiro com leve alta de 0,11%, para um valor médio de US$ 4,3914 o bushel.





