
A procura por galinhas-d’angola tem crescido no Brasil, impulsionada tanto pela criação em condomínios residenciais — onde as aves são usadas no controle de pragas como aranhas e escorpiões e como sistema de alerta contra invasores — quanto pela expansão do mercado de carne de nicho.
Estimativas da Embrapa apontam que o Brasil produz hoje cerca de 1,5 milhão de galinhas d’angola, com produção anual de carne a partir de 2,5 mil toneladas (o abate médio por ave gira em torno de 1,3 kg a 1,6 kg, com peso vivo entre 1,5 kg e 2 kg). A ave viva custa entre R$ 40 e R$ 70 a unidade, dependendo da região. Já a carne abatida varia entre R$ 45 e R$ 80/kg, segundo a Associação de Criadores de Galinha d’Angola do Interior de SP.
O produtor Altamir Vermoehlen, do Criatório AV, de Braço do Trombudo (SC), conta que sentiu aumento na procura a partir de 2018, por meio de contatos via redes sociais. “Até então, eu criava algumas aves exóticas, mas de espécies variadas. Às vezes, nas postagens das redes apareciam as galinhas, e os pedidos começaram a aparecer. Como ficou recorrente, decidi então investir na criação”, conta.
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Hoje, Altamir cria seis espécies diferentes de galinha d’angola (Francesa, lavanda, roxa real, chocolate, canela e coral blue), em criatório com capacidade para abrigar cerca de 450 aves, divididas por tamanho. Ele vende tanto ovos quanto pintinhos. Os ovos são enviados para todo o Brasil, com a dúzia sendo vendida a R$ 120. O criatório garante uma fertilidade de 50% dos ovos vendidos. Abaixo desse percentual, é feita reposição para o cliente.
“O período de postura é principalmente de setembro a março, e o trabalho é intenso. As chocadeiras exigem controle constante, para controle de luz e temperatura e, depois, para verificação dos nascimentos. Muitos pintinhos precisam de ajuda ao nascer”, explica.
Já o produtor Benedito Gonçalves, começou a investir na produção de galinhas d’angola em 2024, em um terreno que já tinha na cidade de Luziânia (GO), e que estava sem uso. O foco, segundo ele, é a produção de aves para abate e venda para o mercado de nicho da carne de “capote”, nome popular da galinha d’angola, principalmente no Nordeste do país.
Abate médio por ave gira em torno de 1,3 kg a 1,6 kg, com peso vivo entre 1,5 kg e 2 kg
Dario Sanches/Wikimedia Commons
Gonçalves projeta que, até o final do ano, terá uma produção de até 500 aves por mês, distribuídas em três galpões, por idade. Hoje, os ovos são comprados de criadores do Ceará. Na granja em Luziânia, Gonçalves faz a engorda das aves até dois quilos, quando ficam prontas para o abate, que é realizado em Minas Gerais.
“As parcerias foram escolhidas visando escalar nosso negócio, sempre com qualidade. Por isso buscamos um criador do Ceará para os ovos e um frigorifico de Minas, que possui certificação necessária para podermos homologar a carne e vender a todo o Brasil”, explica o produtor.
“A expectativa, neste momento, é vendermos para Goiás, pois temos uma produção pequena, mas almejamos chegar até o Nordeste”, finaliza.
Criação requer aprendizado
No município de Altos (PI), o casal de produtores Rosana Silva e Sérgio Rodrigues começou a criar galinhas d’angola, há cinco anos, após receber dicas de amigos, que já estavam no ramo.
“Temos uma pequena propriedade, que à época estava sendo utilizada para plantio de hortaliças, mas sem render muito lucro. Então resolvemos investir em algo novo, depois que alguns conhecidos falaram sobre suas vendas. Buscamos entender como funcionava a criação, estudar o negócio, e vamos aperfeiçoando aos poucos”, diz Rosana.
Eles não comentam os valores investidos, mas construíram novos galpões à medida que a demanda pelas aves crescia. Hoje, a propriedade conta com três galpões, para abrigar até 400 galinhas, todos com climatização, para evitar perdas em função do calor, muito forte na região.
“A criação requer aprendizado, como qualquer outra. Nossos amigos chegaram a perder muitas aves por conta do calor, então tivemos de criar uma maneira de refrescá-las durante o dia, com o gotejamento de pequenas partículas de água. Estamos nos dedicando 24 horas por dia, pois durante a noite também precisamos ficar atentos. Mas há um mercado aqui no Nordeste para venda da carne, que é o nosso público”, explica Rodrigues.
O abate das aves da propriedade é feito por frigorífico parceiro, certificado, que fica na região, e a carne vendida no Piauí, Ceará e Maranhão.





