
O ano de 2026 começou com condições melhores para os pecuaristas que confinam bovinos e utilizam ração para terminação intensiva. As despesas com o alimento dos animais caíram em janeiro, o que favorece as margens do setor como um todo, incluindo os frigoríficos, que atuam no mercado de compra de gado.
A redução no custo com alimentação ajuda a limitar as altas no preço do boi, em momento em que outros fatores impulsionam o valor da arroba, como os preços dos animais de reposição.
O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) da Ponta Agro alcançou R$ 12,58 por cabeça ao dia no Centro-Oeste em janeiro, queda de 11,66% em relação ao mesmo período do ano passado. Na região Sudeste, o indicador atingiu R$ 12,31 por cabeça ao dia, redução de 3,60%.
“As reduções nos alimentos energéticos (-5,86%) e proteicos (-1,29%) sustentaram a queda do custo alimentar, especialmente pela sua maior participação na composição da dieta de terminação”, afirmou a Ponta sobre os dados do Centro-Oeste.
Em relação ao Sudeste, a empresa de análises ressaltou que a queda expressiva nos volumosos (-11,64%) foi o destaque da região, beneficiada pela oferta de bagaço de cana e silagem de cana em níveis elevados. “Os alimentos energéticos também registraram queda na região (-1,01%) com uma participação mais elevada na composição da dieta de terminação que no Centro-Oeste”, disse.
Neste cenário, a percepção da Ponta Agro é que janeiro de 2026 manteve as margens atrativas para o confinamento bovino. Em comparação com janeiro de 2025, a lucratividade subiu 10,44% no Centro-Oeste e 7,99% no Sudeste.
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Quanto ao preço do gado, o indicador do boi gordo Cepea/Esalq (referente ao Estado de São Paulo) teve média de R$ 320,60 por arroba, contra R$ 320,28 em dezembro, ou seja, praticamente estável com pequeno avanço de 0,1%.
Isso aconteceu mesmo em um ambiente de preços considerados elevados para os animais de reposição, que apresentaram cotações firmes em janeiro devido à baixa oferta.
“No caso do bezerro (animal nelore, de 8 a 12 meses), o Indicador Cepea/Esalq (baseado no Mato Grosso do Sul) teve média de R$ 3.078,33/cabeça em janeiro, ligeiro aumento de 0,44% sobre a de dezembro”, afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em nota.
Em janeiro, foram necessárias 9,6 arrobas de boi gordo paulista para a compra de um animal de reposição em Mato Grosso do Sul, quantidade 18,5% maior que a necessária em janeiro do ano passado (8,11 arrobas). Considerando-se apenas os meses de janeiro, a atual relação de troca de arroba de boi gordo paulista por um bezerro sul-mato-grossense é a mais desfavorável da série do Cepea para o pecuarista que faz recria-engorda.





