
O agronegócio brasileiro inicia 2026 impulsionado por um ano de desempenho excepcional. Em 2025, o faturamento bruto das atividades da agropecuária atingiu R$ 1,4 trilhão, segundo a Secretaria de Política Agrícola do MAPA. As lavouras geraram R$ 965 bilhões, com alta de 10,6%, enquanto a pecuária somou R$ 444 bilhões, consolidando sua relevância estratégica para o país.
No entanto, mesmo diante dos ótimos resultados, as projeções para este ano indicam um cenário de desaceleração. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o PIB do agronegócio deve crescer apenas 0,4% em 2026, índice significativamente inferior ao esperado para a indústria (2,3%) e para os serviços (1,7%).
Esse novo contexto exige dos produtores rurais uma postura ainda mais cautelosa. Se, por um lado, o setor segue essencial e resiliente, por outro, o ambiente de juros elevados, liberação seletiva de crédito e restrição de liquidez impõem desafios adicionais, especialmente quando o assunto é investimento em modernização, tecnologia e expansão da capacidade produtiva.
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É justamente nesse panorama que o consórcio ganha protagonismo como alternativa capaz de potencializar o agronegócio nacional. Diferentemente das linhas tradicionais de financiamento, a modalidade permite a aquisição de bens e serviços com parcelas isentas de juros, o que reduz o custo final do investimento.
Ao possibilitar pagamentos planejados e compatíveis com o fluxo de caixa, o consórcio também promove uma descapitalização menor e mais controlada, fator decisivo em momentos de maior incerteza econômica.
Assim, além de uma forma de compra parcelada, a modalidade se consolida como um instrumento de planejamento financeiro. Isso porque, permite ao produtor rural, independentemente do porte da operação, organizar investimentos de médio e longo prazo com previsibilidade. E essa característica se mostra especialmente relevante em um ano como o atual, quando o crescimento do setor tende a ser moderado.
Na prática, as possibilidades de uso do crédito no agronegócio vão desde a aquisição de máquinas e implementos agrícolas até uma gama de soluções tecnológicas e de infraestrutura que incluem, inclusive, drones.
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De acordo com dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o número de participantes ativos em consórcios de máquinas agrícolas saltou de 184,79 mil, em 2020, para 460,12 mil em 2025. Entre janeiro e novembro de 2025, o volume comercializado no segmento de veículos pesados, que inclui este tipo de bem, alcançou R$ 46,61 bilhões, crescimento de 13,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Esses indicadores já revelam uma mudança clara no comportamento do produtor rural, onde, em um ambiente em que o crédito bancário se torna mais caro e restritivo, o consórcio passa a ser percebido como uma ferramenta inteligente e alinhada a um cenário de maior prudência financeira. Ao permitir investimentos sem o peso dos juros, a modalidade contribui para que os empresários do segmento mantenham sua capacidade de modernização, preservando o caixa e reduzindo riscos.
É por este motivo que, diante das expectativas para o agronegócio em 2026, o consórcio se fortalece como uma solução eficiente, sustentável e estratégica em prol do crescimento da economia nacional.
*Eyji Cavalcante é gerente comercial do Consórcio New Holland
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