De um azul quase improvável, a ervilha-borboleta, chamada também de flor-fada-azul, chama atenção por sua cor e passou a ganhar valor no campo indiano. A planta, conhecida localmente como aparajita, cresce como uma trepadeira resistente e, por muito tempo, foi associada apenas a usos ornamentais e medicinais em áreas rurais do país.
O interesse pela flor começou a mudar quando produtores perceberam que aquela cor intensa podia gerar renda. Segundo reportagem da BBC, comunidades rurais passaram a colher e secar as flores para uso na produção de chás, bebidas e corantes naturais. Em muitos casos, o cultivo deixou de ser apenas complementar e se transformou em atividade econômica relevante, especialmente entre mulheres.
Parte do fascínio está no efeito visual da flor. “Quando você coloca a flor em água quente, ela fica azul, e ao espremer limão, muda para roxo. Aquilo pareceu mágico”, disse à BBC o empresário Nitesh Singh, fundador da marca Blue Tea. O efeito ajudou a despertar a curiosidade dos consumidores e a impulsionar o uso da ervilha-borboleta em cafeterias, bares e na indústria de alimentos.
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Pesquisadores da Monash University Malaysia apontam que a flor-fada-azul é rica em compostos bioativos, como antocianinas e flavonoides, associados a efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e ao auxílio no controle da glicose.
O interesse pela planta também acompanha uma tendência global. Segundo Varshika Reddy, fundadora de uma empresa indiana exportadora de corantes naturais, a busca por alternativas aos aditivos sintéticos cresce tanto com regulações mais rígidas nos Estados Unidos e na Europa, quanto com consumidores cada vez mais atentos aos rótulos.
Flor ainda carece de reconhecimento formal como cultura comercial na Índia
Foto: Canva/Creative Commons
Em entrevista à BBC, ela destaca que, apesar do potencial econômico, a flor ainda carece de reconhecimento formal como cultura comercial na Índia.
No campo, a organização da produção tem sido importante para mudar esse cenário. Em áreas rurais do país, a colheita é feita majoritariamente por mulheres, acostumadas a retirar as flores sem danificar a planta, o que garante novas floradas ao longo do ciclo.
Para estruturar o setor, empresas passaram a atuar diretamente com os agricultores, investindo em contratos, capacitação técnica e controle de qualidade, especialmente nas etapas de colheita e secagem.