
O ataque ao Irã já começa a provocar efeitos no mercado internacional de ureia. O país persa é um importante fornecedor do fertilizante nitrogenado, amplamente utilizado em culturas como milho e trigo.
No Egito, os preços da ureia já se aproximam dos US$ 540/ton, sendo que na semana passada esses valores estavam pouco abaixo dos US$ 490/ton – ou seja, uma elevação que supera os 10% -, segundo a consultoria StoneX.
Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, ressalta que, nesse primeiro momento, os investidores estão tentando entender o que está acontecendo. “Logo depois do início do conflito, fornecedores de ureia do Oriente Médio retiraram suas ofertas, aguardando mais clareza sobre a precificação”, afirma.
Leia também:
Entenda o impacto do conflito no Irã em diferentes segmentos do agronegócio
Guerra no Irã deve elevar custo de fretes no pico do escoamento de safra no Brasil
“Eles querem entender se a ureia vai valer 400, 500, 600 ou 700 dólares por tonelada antes de voltar a vender”, complementa. “Ou seja, de início, já temos um enxugamento da oferta por opção dos fornecedores até que a gente tenha mais clareza no mercado.”
A apreensão provocada no mercado de fertilizantes deve-se ao fato de o Oriente Médio ser uma região central na produção desse tipo de insumos.
Pernías ressalta que a região abriga países responsáveis por cerca de 40% das exportações globais de ureia, 28% das exportações de amônia e 29% das exportações de DAP.
Em 2024, o Irã era o segundo maior exportador de ureia do mundo, com 11% do total – além de 5% do comércio de amônia.
“Então, quando a gente observa um conflito no Oriente Médio, a magnitude de impacto que ele pode trazer é muito significativo no mercado de fertilizantes, dada a representatividade que essa região tem na produção”, resume.
Em 2025, o Irã exportou 184,7 mil toneladas de ureia ao Brasil, movimentando cerca de US$ 66,8 milhões. Para o Brasil, no entanto, há a ressalva de que o país está num momento de “baixa temporada” de compras no mercado de nitrogenados.
“Poderemos observar um aumento no custo de produção agrícola, isso tende a piorar de imediato as relações de troca do produtor brasileiro, mas como existe um tempo até a próxima safra, o comprador brasileiro ainda pode esperar uns meses. Ele ainda pode adotar uma postura cautelosa antes de se posicionar”, explica Pernías.
Não é o caso do agricultor dos Estados Unidos, que está prestes a iniciar a safra de primavera. “Para os EUA, o problema é mais grave, dado que eles têm de imediato esse crescimento da demanda iminente no mercado deles.”






