
Agricultores europeus afirmaram que a decisão do Parlamento Europeu de solicitar uma avaliação jurídica do acordo com o Mercosul pelo Tribunal de Justiça da UE “valida as legítimas preocupações e a mobilização da comunidade agrícola” do bloco.
A Copa Cogeca, entidade que reúne agricultores e cooperativas agrícolas do bloco, disse que a aprovação da medida demonstra como as opiniões sobre o acordo ainda estão divididas e que os argumentos apresentados pelos produtores rurais europeus “fizeram sentido” para muitos membros do Parlamento.
“Os agricultores e as cooperativas agrícolas europeias são os primeiros a sofrer as consequências das convulsões e instabilidades geopolíticas. Um comércio justo e equilibrado, coerente com as políticas internas, deve ser uma certeza, mesmo em tempos de incerteza”, disse a entidade em comunicado nesta quarta-feira (21/1).
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“A política comercial não pode continuar a recompensar padrões mais baixos enquanto os agricultores europeus são solicitados a fazer mais com menos”, completou o texto.
Segundo a Copa Cogeca, a atual incerteza global deve ser mais uma razão para a UE “investir e proteger” o setor agrícola europeu “que impulsiona a economia do bloco, contribuindo para uma balança comercial agroalimentar positiva e sustentando as comunidades rurais, ao mesmo tempo que fornece aos cidadãos alimentos seguros, nutritivos e de alta qualidade”.
“Essa votação mostra claramente que a assinatura do acordo no Paraguai não marca o fim do processo. Acabamos de ganhar o tempo necessário para concluir a tarefa de convencer os eurodeputados a rejeitar o próprio acordo. Há meses, a Confédération Paysanne vem se mobilizando para denunciar a nocividade de um acordo que representa perdas para toda a agricultura camponesa na Europa e nos países do Mercosul*: nivelamento por baixo das rendas, dos direitos sociais e das condições de produção”, afirmou o porta-voz da Confédération Paysanne, sindicato agrícola francês, Stéphane Galais.
“Continuaremos pressionando, e a pressão dos nossos produtores agora é ainda mais importante. Nem é preciso dizer que mantemos todo o nosso calendário de manifestações e protestos”, afirmou o coordenador da União dos Agricultores e Sindicatos Agrícolas, com sede em Madri, Luis Cortés.
A Confederazione Generale dell’Agricoltura Italiana (Confagricoltura) informou, em nota, que “não podemos nos permitir acordos que premiem padrões produtivos mais baixos, enquanto se exige que os agricultores europeus façam mais com menos”.






