
A Raízen, maior produtora de açúcar e etanol do mundo, perdeu o grau de investimento e é agora considerada “grau especulativo” pelas três principais agência de classificação de risco – Standard and Poor’s (S&P), Fitch e Moody’s. A S&P e a Fitch rebaixaram a nota da companhia nesta segunda-feira (9) após a empresa informar que está contratando uma assessoria financeira para apoiá-la em “decisões estratégicas”.
A S&P rebaixou a nota da Raízen de ‘BBB—’ (ainda em grau de investimento) para ‘CCC+’, e fez o mesmo rebaixamento para o rating de emissor das notes sem garantia emitidas pela Raízen Fuels Finance.
A Fitch rebaixou o a nota de probabilidade de inadimplência do emissor (IDR, na sigla em inglês) da Raízen para emissões de longo prazo em moeda estrangeira e nacional de ‘BBB-‘ para ‘B’. A mesma revisão foi feita para as notes da Raízen sem garantia com vencimento em 2027, 2032, 2034, 2035, 2037 e 2054.
Mais cedo, a Raízen informou o mercado que “iniciou um processo de contratação de assessores financeiros e legais” para auxiliá-la na elaboração de um diagnóstico de opções estratégicas. Segundo a companhia, não houve até agora compromissos vinculantes para eventual transação ou operação específica.
A Moody’s já havia rebaixado o rating da Raízen para grau especulativo em novembro.
Perspectiva
As duas agências também colocaram a nota da empresa sob perspectiva negativa. Elas consideram que a possibilidade da Raízen reestruturar sua dívida é um cenário de default. A S&P vê uma chance de recuperação de crédito das notes da Raízen entre 50% e 70%, enquanto a Fitch vê uma chance de recuperação entre 25% e 50%.
Sem capital novo
“A administração e os acionistas haviam indicado novos planos que seriam anunciados no curto prazo, mas a falta de novidades concretas sugere que estes planos enfrentam desafios, enquanto a alavancagem continua alta e a companhia continua a experimentar queima de caixa”, alertou a S&P, em relatório.
A Fitch também citou a demora do anúncio de novidades como um fator para a decisão sobre o rating. A agência lembrou que os acionistas controladores — Cosan e Shell — haviam indicado uma possível injeção de capital, mas que nada ocorreu ainda dentro de um prazo esperado pela Fitch, que já havia colocado a nota da Raízen em perspectiva negativa.
Safra ruim
A situação se agravou depois que a Raízen divulgou recentemente dados de desempenho operacional referentes ao terceiro trimestre da safra 2025/26 abaixo das expectativas.
Há duas semanas, a Raízen informou que sua moagem de cana-de-açúcar nos nove primeiros meses da safra 2025/26, de abril a dezembro, foi 9,2% menor do que no mesmo período da temporada anterior. A produção total de açúcar e etanol, em açúcar equivalente, recuou ainda mais, 10,4%, em decorrência de uma concentração de sacarose também inferior.
Aperto de liquidez
Com base nos dados, a S&P prevê que a alavancagem da Raízen ficará entre 5 a 5,5 vezes no fim desta safra, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve ficar em R$ 11 bilhões. Já a Fitch estima que a alavancagem da Raízen ficará entre 5,4 a 5 vezes ainda pelosnos próximos dois anos, e calcula que, dos mais de R$ 50 bilhões em dívida da companhia, R$ 10,5 bilhões vencem em 18 meses. “Se a companhia refinanciar essa dívida às taxas atuais de mercado, sua flexibilidade financeira vai se enfraquecer ainda mais”, alertou a agência, em relatório.
Segundo a S&P, a companhia deve continuar arcando com um custo com juros na ordem de R$ 9,5 bilhões ao ano, o que deve continuar a queimar seu caixa na próxima safra, elevando a alavancagem para 6 vezes em 2026/27.





