
Exportadores brasileiros de carne de frango vêm buscando formas de enviar navios originalmente destinados aos países do Oriente Médio, que precisariam passar pelo Estreito de Ormuz, fechado em virtude da guerra no Irã, para outros países da África e da Ásia, disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, em entrevista à Globo News.
Com o Estreito de Ormuz fechado, navios que já haviam partido em direção à região estão aguardando em portos de transbordo ou de segurança, “até que a situação se aclare”, de acordo com o executivo. “Já há empresas fazendo carregamento para o mar Mediterrâneo ou Vermelho, embora o Canal de Suez esteja fechado”, continuou Santin.
Como rota alternativa para chegar à Arábia Saudita, por exemplo, o setor tem considerado cruzar o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, e posteriormente subir até portos de Omã ou cruzar o estreito de Bar al-Mandab, entre o Iêmen e a África, segundo Santin.
Esse trajeto aumentaria o tempo de trânsito das embarcações em 10 a 15 dias, mas não comprometeria a validade das cargas.
“Isso é possível, tem companhias que ontem não faziam esse trajeto e hoje já dizem que pode ser feito com segurança”, disse Santin, acrescentando que várias opções estão sendo consideradas para continuar entregando carne aos países do Oriente Médio, apesar do conflito.
“Esses países precisam que o Brasil entregue a comida lá”, disse.
Initial plugin text
Segundo o presidente da ABPA, todos os dias saem do Brasil cerca de 350 contêineres carregados com carne de frango para o Oriente Médio, para onde o país envia 30% de todas as suas exportações da proteína.
Ele destacou a alta dependência das nações da região em relação à carne de frango brasileira, inclusive porque os outros grandes exportadores globais do produto, Estados Unidos e Europa, também estão envolvidos no conflito.
Conforme Santin, 57% do que a Arábia Saudita importa de carne de frango sai do Brasil. No caso dos Emirados Árabes, o percentual sobe para 74% e na Jordânia, para cerca de 90%.
Ele também informou que teve conversas com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, com o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, e o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, para garantir a validade documental de navios que precisam ser redirecionados de seus destinos originais para outros países, em virtude do conflito. A resposta do governo, disse ele, é de que haverá ajuda neste sentido.
Para criadores de frangos brasileiros, o conflito não deve ter impacto imediato, mas pode gerar problemas caso a situação se estenda por mais tempo, dois a três meses, conforme Santin.






