O produtor Cristiano Lopes, de Panamá (GO), cultivou 300 hectares de girassol na segunda safra 2024/25, o que representou um aumento de 20% em comparação com os 250 hectares do ciclo anterior. Para a segunda safra de 2025/26, ele estima dedicar pelo menos 400 hectares à cultura.
“Já vou para o décimo ano de cultivo de girassol na safrinha. É uma planta de ciclo rápido, que eu colho uns 110 dias depois do plantio. Além disso, o manejo é mais fácil e exige menos chuva. Com 200 milímetros de chuvas eu faço uma boa colheita”, diz o produtor, sócio da Fazenda Rainha do Panamá. O plantio do milho, compara, exige pelo menos 350 milímetros de chuvas para ter êxito.
Segundo Lopes, que também cultiva soja no verão e dedica 150 hectares ao milho safrinha, ele gasta menos com adubação e defensivos no cultivo do girassol do que nas outras culturas, um fator sempre atrativo para os produtores. “Neste ano, o custo ficou na casa de R$ 1.600 por hectare. Com o preço médio de R$ 120 por saca, tive uma rentabilidade muito boa”, comemora.
A produtividade na safra foi de 34 sacas por hectare, o que garantiu a Lopes um rendimento médio de R$ 2.480 por hectare. O número caiu em 2025, mas porque ele plantou o girassol mais tarde, no início de março. “Se eu tivesse plantado em meados de fevereiro, o rendimento poderia chegar até 45 sacas por hectare”, estima.
Lopes relata que, para compensar a falta de palhada que culturas como sorgo e milho produzem e que é aproveitada no plantio da soja, os agricultores têm cultivado girassol com forrageiras como a Brachiaria ruziziensis.
Expansão no país
Assim como Lopes, outros agricultores brasileiros ampliaram a área de plantio de girassol na safra 2024/25 e já consideram novos aumentos em 2025/26. Desde a safra 2020/21, a cultura tem tido expansão contínua – o aumento de área nesse período é de mais de 95%.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a oleaginosa ocupará 63.800 hectares na safra 2025/26, ou 3,1% a mais do que no ciclo anterior. Já a produção teve um aumento expressivo, de 41,2% na safra passada, e a perspectiva para 2025/26 é de crescimento de 1,5%, para 101.900 toneladas.
Os agricultores de Goiás lideram a expansão do cultivo no país. O girassol ocupou 20.000 hectares no estado na safra 2020/21 e, em 2024/25, a área já estava em 47.000 hectares. Com isso, é em Goiás que fica, de longe, a maior área de produção da oleaginosa – Minas Gerais, o segundo no ranking, dedica 5.500 hectares à cultura.
Lavoura de girassol: desde a safra 2020/21, a área de plantio da cultura praticamente dobrou no Brasil, chegando a 63.800 hectares
José Medeiros/Editora Globo
Para a temporada 2025/26, a perspectiva, por enquanto, é de que o plantio em fazendas goianas continue a ocorrer em 47.000 hectares. Mas, a depender das condições climáticas para outras culturas, a área poderá crescer. Na safra passada, o Estado colheu 74.200 toneladas, ou 66% a mais do que em 2023/24.
Segundo o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), as chuvas irregulares atrasaram o plantio de soja, o que pode fazer com que a colheita do grão se estenda até os últimos dias de fevereiro, o que afetaria o plantio da segunda safra de milho. Se esse quadro se confirmar, os produtores devem substituir o milho safrinha por sorgo, girassol, arroz ou alguma outra cultura.
Clodoaldo Calegari, produtor rural em Silvânia (GO), começou a plantar girassol há três anos, como alternativa para o fim da janela de plantio da segunda safra. Na temporada 2024/25, ele cultivou 360 hectares com a cultura. “Na última safra, consegui uma produtividade de 44 sacas por hectare. Hoje, o valor da saca está parecido com o da soja, e o investimento é menor. Então, o ganho é significativo”, afirma.
Ele acrescenta que o girassol tem tido resultados melhores do que sorgo e trigo. Enquanto o custo por hectare do milho é de R$ 3.500, em média, o do girassol é de cerca de R$ 1.800 por hectare. Calegari diz que ainda não definiu a área a ser cultivada na safra 2025/26 e que a decisão vai depender do comportamento do clima.
Produtor Walter Brandtner, de Silvânia (GO): o girassol tem custo de produção menor do que o sorgo e exige menos chuva
Walter Brandtner/Arquivo Pessoal
Walter Brandtner, também produtor em Silvânia, começou a plantar girassol na safrinha de 2022, com 180 hectares. Nos anos seguintes, a área cresceu, chegando a 700 hectares em 2025. “Neste ano, a nossa previsão é plantar 650 hectares. A área exata depende de como o girassol se encaixa em nosso sistema de rotação, com soja ou feijão”, afirma.
O girassol, segundo ele, tem custo por hectare menor do que o sorgo, além de exigir menos chuva. Na última safra, a rentabilidade da cultura ficou em R$ 1.200 por hectare, com produtividade média de 38 sacas por hectare. Brandtner cita como fator negativo o mofo branco, doença do girassol que pode ser transmitida para outras culturas. O produtor combate a doença com fungicidas e biodefensivos.
Indústria
A Caramuru compra a maior parte da produção goiana. Túlio Ribeiro da Silva, gerente de girassol da companhia, observa que, enquanto a soja tem cerca de 20% de teor de óleo e 80% de farelo, no caso do girassol, o teor de óleo é de 39%. Segundo ele, toda a produção de óleo a partir da planta destina-se à indústria alimentícia.
O mercado brasileiro consome em torno de 90.000 toneladas de óleo de girassol por ano; a Caramuru responde por 30.600 toneladas, ou pouco mais de um terço do total. “Temos um espaço muito grande para avançar nesse mercado”, afirma.
Um dos planos da empresa para os próximos anos é a construção de um armazém para 30.000 toneladas de girassol; hoje, a armazenagem ocorre em silos-bolsa. “A ideia é que a cultura tenha um armazém exclusivo. Com estrutura própria, a indústria poderá melhorar o recebimento, o que reduz o custo para o produtor”, comenta.
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A fábrica da Caramuru em Itumbiara (GO) tem capacidade para processar 125.000 toneladas de girassol por ano. A companhia trabalhou com 256 produtores da cultura em 2025 e pretende atrair mais fornecedores neste ano. “Temos muitos produtores com potencial bastante bom de aumento de área”, opina Silva.
O objetivo da companhia, segundo o executivo, é estimular o aumento da produção no país para ampliar sua participação de mercado no segmento de óleo de girassol. Atualmente, o abastecimento depende principalmente de produto argentino, que outras marcas importam. Na safra 2025/26, a Argentina fará o plantio em 2,7 milhões de hectares, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires; em 2024/25, a cultura ocupou 2,2 milhões de hectares.
Outras iniciativas também movimentam o mercado. Recentemente, a Bunge lançou no Brasil uma marca de óleo de girassol produzido na Argentina. Ana Gutierrez, gerente de produtos da companhia, diz que a marca é reconhecida no mercado argentino e que a Bunge pretende replicar essa aceitação no Brasil. “A distribuição será nacional, utilizando a forte capilaridade regional da empresa para que o produto chegue às principais redes de supermercados e atacadistas”, detalha.
Ana Scavone, da Advanta Seeds: “Estamos trabalhando com o desenvolvimento de híbridos para o Sul do país”
Divulgação Advanta Seeds
A perspectiva positiva para a cultura também tem animado a Advanta Seeds, do grupo UPL. A empresa, que comercializa sementes de sorgo no mercado brasileiro, registrou no país três novos híbridos com tolerância a herbicidas, que chegarão ao mercado nacional na safrinha de 2026.
“Estamos trabalhando com o desenvolvimento de híbridos para o Sul do país”, detalha Ana Scavone, líder de desenvolvimento de novos negócios da Advanta. Na região, a cultura tem crescido no Rio Grande do Sul, onde, segundo a Conab, a área de plantio deverá chegar a 6.000 hectares no ciclo atual; em 2024/25, a cultura ocupou 4.100 hectares no Estado.
A Advanta Seeds trabalha com a perspectiva de alcançar pelo menos 10% de participação no mercado de sementes de girassol para a segunda safra. A ideia, conta a executiva, é aproveitar a estrutura de representantes comerciais que já atuam na venda de sorgo no país para oferecer o girassol aos produtores.