A avicultura de corte deve manter crescimento em 2026, sustentado pelas exportações, pela adequação da oferta às demandas interna e externa e por margens consideradas favoráveis aos produtores, segundo análises de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Projeções do Cepea indicam crescimento de 2,4% nos embarques em 2026 e produção de 14,73 milhões de toneladas, aumento de 3,8% em comparação com 2025.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o consumo per capita de carne de frango chegue a 47,3 quilos em 2026, alta de 1,2% em relação a 2025. Agentes de mercado ouvidos pelo Cepea destacam que a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil pode contribuir para sustentar a demanda doméstica.
O Brasil responde por aproximadamente um terço das exportações globais de carne de frango e manteve a liderança no mercado internacional, mesmo diante de restrições pontuais relacionadas à gripe aviária.
Ovos
A produção nacional de ovos para consumo também deve crescer em 2026, cerca de 1%, alcançando 4,11 bilhões de dúzias, mas ainda inferior ao projetado para 2025, segundo o Cepea.
O mercado, assim, deve manter, em 2026, a trajetória de crescimento registrada nos últimos anos, mas em ritmo mais moderado pelo lado da oferta, enquanto o consumo interno segue em avanço mais significativo.
Pelo lado da demanda, a ABPA projeta aumento do consumo per capita. Para 2025, a entidade estima que o Brasil alcance 287 ovos por habitante, o que colocaria o país, pela primeira vez, entre os dez maiores consumidores per capita do mundo. Em 2026, a projeção é de 307 ovos por habitante, posicionando o Brasil na sétima colocação do ranking internacional.
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Preocupações sanitárias
Apesar das perspectivas de crescimento, a concretização dessas projeções, segundo o Cepea, depende do controle sanitário rigoroso. A ocorrência de focos da Influenza Aviária em granjas comerciais pode resultar em suspensões imediatas por parte de importadores, como registrado em maio de 2025.
O monitoramento do vírus H5N1 é considerado essencial, especialmente no período entre maio e julho, quando ocorre maior fluxo de aves migratórias. Ao longo de 2025, o vírus foi registrado em granjas comerciais de diversos países, incluindo África do Sul, Estados Unidos, Japão e nações europeias.
No Brasil, embora o país tenha retomado rapidamente o status de livre da doença após registros pontuais, pesquisadores do Cepea apontam que a ameaça permanece, em linha com o cenário global.
No mercado externo, a disseminação da gripe aviária em outros países tem ampliado a demanda por produtos brasileiros. Pesquisadores do Cepea avaliam que o Brasil tem demonstrado capacidade de atender ao mercado internacional.
A retomada, em novembro de 2025, do sistema de pre-listing pela União Europeia para estabelecimentos de aves e ovos é apontada como um indicativo de confiança internacional e pode favorecer o avanço das exportações de ovos em 2026.