A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), índice que representa o faturamento bruto dentro da porteira, vai cair 4,6% em 2026, para R$ 1,4 trilhão, na comparação com os dados consolidados de 2025. O cálculo leva em consideração a média dos preços reais (IGP-DI) recebidos pelos produtores rurais de todo o país.

O cenário contrasta com os bons resultados alcançados pelo setor em 2025. Nesta terça-feira (3/3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% no ano passado e que a agropecuária, que evoluiu 11,7% no período, foi responsável por 33% do crescimento da economia como um todo. Esses números, no entanto, consideram também a atividade fora da porteira, como o processamento dos produtos nas agroindústrias.

De acordo com a CNA, embora haja expectativa de aumento na produção da pecuária e de parte das commodities agrícolas, os preços menores projetados para este ano, em comparação com os preços médios de 2025, repercutiram na previsão de queda do VBP agropecuário.
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Para a agricultura, o faturamento estimado para 2026 é de R$ 926,9 bilhões, retração de 4,5% em relação a 2025. Com exceção do caroço de algodão, do feijão e da maçã, os demais produtos registraram queda nos preços em relação a 2025.
A soja deve apresentar leve avanço de 0,6% no VBP, pressionada pela redução dos preços (-3,0%), não compensada pelo aumento da produção (3,79%). Para o milho, projeta-se queda de 5,3% nos preços e de 1,92% na produção, o que resultará em diminuição de 7,1% no VBP.

Já a cana-de-açúcar deve registrar recuo de 6,5%, em razão da queda nos preços (-7,0%), apesar da leve alta na produção (0,57%). Entre as culturas com expectativa de crescimento do VBP em 2026, destaca-se o café arábica. Mesmo com recuo de 3,9% nos preços, o grão deve registrar expansão de 23,29% na produção e acumular alta de 18,4% no VBP.

O faturamento estimado para a pecuária é de R$ 476.307 bilhões, queda de 4,7% em relação a 2025, segundo a projeção da CNA. A perspectiva é de queda no VBP dos produtos de todos os segmentos, impulsionada pela redução esperada nos preços.

A exceção é a carne bovina, para a qual a estimativa é de aumento de 3,7% nos preços em 2026. Ainda assim, o avanço na receita não deve compensar a queda projetada de 5,73% na produção. Com isso, o VBP da atividade deve recuar 2,3%.

Para os demais produtos, a projeção é de crescimento da produção não superior a 3%. O resultado combinado a quedas de preços superiores a 4% deve gerar uma queda de 1,6% no VBP da carne de frango, de 11% no leite, de 1,8% na carne suína e de 22,8% nos ovos.