Mais lembrada nas festas de fim de ano, a noz-pecã deve ter uma safra recorde em 2026 no Brasil. Após a quebra provocada pelas enchentes de 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul, Estado responsável por cerca de 80% da produção nacional, as condições climáticas favoráveis ao longo do último ano indicam uma colheita próxima de 7 mil toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Pecanicultura. No ano passado, ainda refletindo os efeitos do evento climático extremo, a produção nacional foi de 4 mil toneladas.
“Até agora, na minha região, o clima está perfeito. Praticamente não está faltando chuva”, afirma o agricultor Diego Testa, em Anta Gorda (RS). A previsão dele é colher cerca de cinco toneladas este ano, acima das três toneladas registradas antes das fortes chuvas e inundações no Estado: “Se correr tudo como está correndo agora, vai ser uma supersafra”, avalia.
De acordo com o presidente do IBPecan, Caiton Wallauer, o crescimento da produção também é motivado pelo aumento da área plantada no país, hoje de 10 mil hectares em produção. “A expectativa é de que nos próximos cinco anos iremos chegar perto de 15 mil hectares. Então, está havendo um crescimento, e acredito que a partir de 2026 teremos novas expansões”, afirma.
A expansão ocorre num cenário favorável para pecanicultura não só pela melhor produção, mas também pela abertura de novos mercados. Com isso, a maior oferta não tem causado queda de preços, o que significa boa produção com boa remuneração – o que nem sempre ocorre na agricultura, já que geralmente os preços são bastante sensíveis ao aumento da oferta.
“Com a possibilidade de exportação e novos mercados sendo abertos, acredito que o preço vai se manter mais estável. Isso pode ser um bom indicador ao produtor que quiser fazer novos investimentos”, observa Wallauer.
Quarto maior produtor mundial, o Brasil conquistou em junho de 2024 a abertura do mercado chinês de pecã, país considerado o maior consumidor mundial do produto, com uma demanda anual de 45 mil toneladas. Em 2025 foi a vez da Coreia do Sul e da Tailândia abrirem seus mercados para a noz-pecã brasileira.
“O preço de referência é o preço dado por Estados Unidos e México, que concentram 80% da produção mundial. Como eles tiveram uma safra menor no ano passado e com estoques de passagem menores, os preços estão em alta”, afirma. A estimativa da IBPecan é que cerca de 30% a 40% da produção brasileira seja destinada ao mercado internacional neste novo cenário.
No mercado interno, a perspectiva também é de crescimento, dado o baixo consumo, mais concentrado nas festas de fim de ano. “O Brasil é um grande
importador de nozes, provavelmente mais do que nós produzimos de pecã aqui dentro”, ressalta Wallauer.
Na prateleira, a amêndoa se destaca pelas suas qualidades nutricionais, sendo reconhecida por sua elevada quantidade de ácidos graxos, proteínas e aminoácidos. Segundo estudos compilados pela Embrapa, a pecã possui ainda propriedades antidiabéticas e antiobesidade, relacionadas a presença de ácidos graxos insaturados no fruto.
Esse cenário motiva o produtor Diego Testa, de Anta Gorda. Quando perdeu metade da sua produção, devido às enchentes, ele havia acabado de comprar uma colheitadeira e precisou usar recursos de outras lavouras para pagar o financiamento feito junto ao banco. Agora, ele espera receber os mesmos R$ 20 por quilo que vinha recebendo ou mais. Com o reequilíbrio das contas, o agricultor faz planos para novos investimentos e já pensa em adquirir também um sistema de irrigação e uma secadora.
“Se eu conseguir entregar a pecã já seca, vou ganhar um valor maior, ou posso segurar em casa, estocar e ir vendendo na hora que o preço estiver melhor também”, afirma o produtor.