As chuvas fortes que têm causado transtornos e preocupação em diferentes Estados do Brasil não dão trégua. A previsão do tempo indica que os temporais continuam – e com acumulados expressivos. Em algumas áreas, os volumes podem se aproximar dos 300 milímetros, elevando o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e transbordamento de rios.
A explicação para a instabilidade é a formação, pela segunda vez em 2026, da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). O sistema meteorológico, conhecido como um corredor de nuvens de chuva que se estende pelo país, está entre os responsáveis pelas chuvas persistentes no Sudeste e no Centro-Oeste entre o fim da primavera e o verão.
De acordo com Guilherme Borges, meteorologista da FieldPRO, quatro regiões mantêm pontos de atenção até a próxima segunda-feira (26/1):
Sudeste, com destaque para Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo;
Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal;
Norte, especialmente no Tocantins;
Nordeste, com atenção para o nordeste e o sul da Bahia.
“Essas áreas devem concentrar os maiores acumulados ao longo dos próximos dias. A atuação da ZCAS favorece volumes elevados, sobretudo no Sudeste. Em pontos como no leste de Minas Gerais, no centro-sul do Espírito Santo e no centro-norte do Rio de Janeiro, os acumulados podem ser próximos dos 300 milímetros, o que representa muita chuva em um curto período de tempo”, alerta o especialista à Globo Rural.
E no restante do Brasil?
Enquanto as regiões citadas enfrentam temporais, o Sul segue com tempo firme e temperaturas atípicas para a estação após a passagem de uma massa de ar polar.
Em Santa Catarina, por exemplo, a menor temperatura registrada na última quarta-feira (21/1) foi de 6,7°C em Urupema, conforme dados do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram). As paisagens na área rural da cidade, considerada a mais fria do Brasil por causa da geografia, amanheceram cobertas de geada, assim como em São Joaquim, também na Serra catarinense.
+ Por que Urupema é a cidade mais fria do Brasil?
“No Sul, incluindo ainda São Paulo e Mato Grosso do Sul, o principal destaque é a atuação dessa massa de ar que se intensificou nos últimos dias, mas que está estabilizada. Ela atua por mais alguns dias, deixando as temperaturas mais amenas, mesmo em pleno verão”.
O especialista reforça, no entanto, que o cenário não deve durar muito. O calor, principal característica do verão e resultado da maior incidência de radiação solar, volta a ganhar força no fim de semana, com elevação gradual das mínimas e das máximas.
Onde mais choveu em janeiro?
A formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) pela segunda vez no ano e, praticamente, sobre as mesmas áreas do Sudeste, elevou significativamente os acumulados de chuva no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Espírito Santo, destaca a Climatempo.
Com a recorrência dos temporais, muitas cidades da região registraram volumes acima dos 200 milímetros, enquanto outras acumulam entre 300 e 400 milímetros no mesmo período. Veja na lista abaixo*:
Rio de Janeiro (Alto da Boa Vista): 400 milímetros;
Linhares (ES): 335 milímetros;
Paracatu (MG): 329 milímetros;
Venda Nova do Imigrante (ES): 317 milímetros;
Santa Maria Madalena (RJ): 301 milímetros;
Brejetuba (ES): 299 milímetros;
Teresópolis (RJ): 295 milímetros;
Três Marias (MG): 293 milímetros;
Pompeu (MG): 291 milímetros;
Marilândia (ES): 286 milímetros;
*Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).