Casarão em Messejana preserva memória de José de Alencar, patriarca da literatura brasileira

Nascido em 1º de maio de 1829, José Martiniano de Alencar, apelidado de Cazuza na infância, passou sua infância no sítio Alagadiço, na Messejana. Rodeado por mangueiras e cajueiros, o futuro escritor brincava pulando de galho em galho e se divertia ouvindo histórias contadas pelos vaqueiros. “Aqui ele passou boa parte da sua infância, deve ter corrido muito nesse imenso sítio que era uma grande propriedade do seu pai, que tinha o mesmo nome dele, José Martiniano de Alencar”, lembra Francisco Pinheiro.

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O casarão onde Cazuza cresceu é um exemplo do estilo português do século XIX, simples, mas robusto. Feita de taipa, com piso de tijolos e telhado de carnaúba, a residência possui quatro cômodos e não tinha banheiro. Segundo Francisco Pinheiro, “Ela é simples quando nós olhamos com o olhar de hoje, porque se você fizer um levantamento das casas de Fortaleza, elas praticamente todas eram de taipas e algumas cobertas de palha. Essa é uma casa de taipa, mas muito bem feita, coberta de telha, uma coberta bastante sólida e com tijoleiras. Então é uma casa do padrão das famílias ricas do Ceará, principalmente de Fortaleza.”

Além de lar da família, o sítio teve importância econômica para a região. O pai de José de Alencar montou ali o primeiro engenho a vapor do Ceará, buscando melhorar a produção de cana-de-açúcar. A vida do escritor também foi marcada por histórias familiares incomuns: “José de Alencar é filho do amor proibido entre o padre José Martiniano Pereira de Alencar e da prima Ana Josefina de Alencar. Por conta disso, no documento de batismo consta apenas o nome da figura materna, a quem o escritor dedicou o drama Mãe, uma homenagem”, explica Pinheiro.

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História de José de Alencar

Aos nove anos, José de Alencar e a família deixaram a casa em Messejana rumo ao Rio de Janeiro, em uma viagem a cavalo. Foi na capital do Império do Brasil que ele se tornaria o grande escritor, advogado, jornalista, intelectual e político que marcou a história literária do país. Apesar da mudança, a ligação com o Ceará permaneceu viva em sua obra: romances como Guarani e Sertanejo, além de peças de teatro, contos e crônicas, reforçam a influência das raízes nordestinas em sua literatura.

Reconhecido como principal nome do romantismo brasileiro, José de Alencar contribuiu significativamente para a formação da cultura literária e da língua portuguesa no Brasil. “Como romancista, ele escreveu sobre temas os mais diversos. Os especialistas dizem que ele contribuiu muito para a própria formação da língua portuguesa no Brasil. É como se ele, seus escritos, começassem a diferenciar a língua portuguesa falada no Brasil da língua portuguesa falada em Portugal”, destaca Pinheiro.

Apesar de ter morrido aos 48 anos, José de Alencar permanece imortalizado na literatura e na memória cultural do povo cearense. O casarão do sítio Alagadiço não é apenas um espaço físico, mas um símbolo da história do Ceará e da formação de um dos maiores escritores do país.

A preservação do casarão ajuda a manter viva a trajetória de um homem que, ainda criança, já mostrava conexão com o lugar que o formaria culturalmente. “Em todos os meus livros, há uma página que me foi inspirada por ti”, comentou o professor Francisco Pinheiro, reforçando a importância da infância de Cazuza para sua obra literária.

O casarão e a memória de José de Alencar continuam sendo referência para estudiosos, moradores e visitantes que desejam compreender não apenas a história de um escritor, mas também a história cultural do Ceará e de Fortaleza. A ligação entre passado e presente se mantém viva, mostrando que história e literatura caminham lado a lado.

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